É hilariante toda esta competição pela liderança do PSD: o partido moribundo. E quando se olha para os candidatos ainda é mais divertido. Ao ouvir aqueles que se agitam - Alberto João Jardim, Santana Lopes, Ferreira Leite - tentando ganhar visibilidade na comunicação social, não posso deixar de sentir um secreto gozo misturado de apreensão. É que eles são tão ridículos e risíveis que se não fossem deputados e presidentes de governos regionais e líderes partidários seriam apenas objecto de risota. Sendo assim são perigosos. Porque a demagogia é tanta, o popularismo tão baixo, que podemos ter a certeza que algum resultado hão-de ter num país que, como se sabe, mais dia menos dia sucumbe à chamada "alternância democrática", apenas porque sim.
Pedro Santana Lopes fez um discurso de estado ontem.

Quem ouviu até parecia que ele não se estava a candidatar a líder do partido. Parecia um discurso de alguém que já era quase primeiro-ministro. E mais. Parecia um discurso de alguém que nunca teve responsabilidades de primeiro-ministro. Vangloriou-se dos dez anos de governos de cavaquistão como se eles tivessem sido a melhor coisa que nos aconteceu desde a revolução. Quando todos sabemos que foi nesses dez anos que, apesar dos resultados de crescimento económico à custa do consumo apenas, o país não investiu na produtividade, na educação e cultura das pessoas e preferiu, à boa maneira social-democrata, distribuir as benesses de Bruxelas em mastodontes como o CCB (responsabilidade de Santana Lopes), auto-estradas e subsídios ao débil tecido produtivo português para não produzir. Foi nesses dez anos que o nosso atraso se tornou ainda mais profundo. Foi nesses anos que perdemos a oportunidade de sair deste marasmo e inércia, que os políticos responsáveis pelo país desperdiçaram a oportunidade única de desenvolver aquilo que torna um país realmente competitivo e produtivo: as suas
pessoas.
Fizeram-se estradas, compraram-se jipes, multiplicaram-se as revistas cor-de-rosa, as televisões nivelaram a informação e formação por baixo (apenas porque era o que as pessoas queriam...), fomentou-se a vertigem do consumismo que gerou lucros exorbitantes, mas não se apostou nas
pessoas. E aquilo que me deixa mais estupefacto ao ouvir estes discursos ocos dos candidatos à liderança do PSD, é que eles próprios estão convencidos do contrário. Nem eles ainda reconheceram que grande parte da culpa do atraso de Portugal se deve ao facto de esses tais governos não terem tido uma política responsável de elevação do povo - porque acham que isso deve ser vagamente "comunista". Mais grave ainda quando vemos que o próprio actual Presidente da República Portuguesa profere discursos que são exactamente o contrário daquilo que fez quando era primeiro-ministro.
Será que estamos condenados para sempre a esta mediocridade, a esta hipocrisia? Eu quero acreditar que não. Mas se o Santana diz que a emigração está a crescer e que isso é um sinal de que o país não tem presente nem futuro, isso também se deve a pessoas como ele e aos seus pares que tudo fizeram para tirar ao Estado a responsabilidade que tem de formar
pessoas inteligentes, confiantes, imaginativas, produtivas.
O ataque que o Santana fez ontem ao estado social demonstrou como o PSD não só não mudou de opinião e política como continua a acreditar que o Estado deve apenas dar "confiança" aos agentes económicos e ficar quietinho no seu sítio a gerir os dinheiros dos deputados, da polícia e do exército e se deve demitir de tudo o que seja educação e cultura. Só há uma palavra para isto: incompetência.