Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 15:29

Sex, 26/06/09

Pronto, tá bem. Morreu o Michael Jackson. Já sei. E ele não estava já morto? Como artista. Como músico e bailarino. Não foi ele que se matou, também, paulatinamente?

Ok. Deu-nos o "Billy Jean" e o "Beat it" - ou foi o Quincy Jones? Não. Foi a voz dele, os guinchinhos abafados tão sensuais, o agarrar nos tomates só com dois dedos. Foi a fantasia elevada à categoria de imoralidade. A Neverland. Foi os milhões aos berros por ele, as criancinhas que lhe davam a infância que nunca teve. O dinheiro que lhe dava a pose que nunca teve nem tinha jeito para ter.

Ele era um rebelde que devia conformar-se com os chupistas que o rodeavam. Era um vendido. Um artista. Vendido. O pai trabalhava nas minas. Ele comprou-as. Da indigência ao estrelato em menos de 20 anos. Será pedir muito?

Um dos homens mais ricos do mundo morreu. A música ficou mais pobre por isso?

Não. A música irá sobreviver. E tudo aquilo que ela vale será avaliada a partir de hoje. Amanhã e daqui a muitas gerações poderemos então saber se ele mereceu ser lembrado pela música e não apenas por ter os ossos do homem-elefante.