Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 12:32

Seg, 15/12/08

Manuel Alegre deu ontem o primeiro passo para a formação de um novo partido de esquerda português. Já se viu que, com o descalabro da direita, a inépcia dos seus partidos e a incompetência dos seus líderes, será a esquerda a roubar a maioria absoluta ao PS nas próximas eleições legislativas.

Para quem tem acompanhado os meus comentários aqui, já deve ser claro por que é que eu, para além de concordar com algumas das políticas do governo e principalmente com o estilo austero das mesmas, nunca votaria PS. Manuel Alegre veio agora dar-me razão. O PS é um ninho de interesses antagónicos que vão e vêm ao sabor do vento partidário. Nunca se sabe com o que se pode contar. Esta é mais uma das vezes em que sentimos que o PS nos vai defraudar. E como que por ironia, será o próprio PS a fazê-lo, será o próprio PS a fazer oposição ao PS.

Desde as presidenciais que Alegre e Sócrates estão em rota de colisão, era só uma questão de tempo.

Resta saber se os tais 7, 8% que os analistas dizem que o novo partido obterá nas eleições será o suficiente para dar esperança ao PSD para formar governo. Seria ainda mais irónico se o país virasse à direita por o PS se desmembrar à custa desta nova esquerda. Mas acho que esses cálculos também estão feitos - ou será apenas uma maneira de pressionar o PS...?

À espreita continua o PCP que, depois dos ataques ao Bloco de Esquerda no seu congresso, se pôs em posição para se coligar com a nova força de esquerda. Só que neste encontro das novas esquerdas o PCP não esteve presente. Quando perguntaram aos dirigentes do PCP se Carlos Carvalhas iria estar presente no encontro, Bernardino Soares mostrou-se bastante agastado e nervoso. Talvez a estratégia passe exactamente por não convidar o PCP, tentando isolá-lo, ou pelo contrário, o PCP não se junta a um grupo qualquer enquanto não houver nada certo.

Seja como for, o xadrez político português, com todas as greves e protestos, crises financeiras e crimes bancários, prepara-se para entrar numa nova interessante fase. A monotonia vai terminar.

Para a esquerda poderá ser uma maneira de definitivamente arrumar a direita podre. Para a direita uma última oportunidade de salvar os seus negócios e tentar protelar a ruína.