Um filho e um pai em viagem pela consciência divina do mundo.

O filho cego quer da vida tudo o que ela pode dar, sem medos, restrições, o pai, com um passado carregado de sofrimentos - a morte da mulher, a deficiência do filho -, procura refazer a vida, sofregamente, à custa de um novo casamento.
A vaga rejeição que o miúdo sofre diz do desespero do pai que não consegue ver, tragicamente, como o filho aproveita a vida e brilha como uma espiga ao sol. Como Mohammad se perde no meio dos prados com as irmãs e a avó. Como as mãos dele tenteiam as da avó. Como sabe Mohammad que as mãos da avó são brancas se ninguém lhe disse nada? Como sabe Mohammad que o pássaro caiu do ninho? Como encontra às cegas o ninho aonde pertence? Que perfeição se escapa dos seus actos?
Mas a felicidade que emana dele mostra ao pai a profundidade da sua frustração. Por isso o pai acha que Mohammad tem de trabalhar, aprender um ofício. Mas a avó quer que ele vá para a escola. As gerações saltam umas por cima das outras. O pai é ignorado mas leva a melhor.

Avós e netos definem um mundo de sabedoria ingénua. Os pais e o seu pragmatismo passam cegamente ao lado da vida.
O pai desespera a cada minuto com o possível fracasso de uma nova vida, mas mesmo assim dedica-se à construção de uma nova casa, mas a morte da matriarca da família, depois de um estado de catatonia por o neto ter partido, atira o pai para o desespero que se torna avassalador com o falhanço de um novo casamento.
O filho torna-se o oásis, a única esperança. O filho tantas vezes afastado deles pela deficiência é agora o seu refúgio. Por isso ele o vai buscar. E nessa viagem descobrirá a invisibilidade visível de Deus. Está nas mãos do filho. Naquelas mãos que um dia tocaram as da velha. Nas mãos que, como os olhos dos não cegos, lhe disseram o que era o mundo.
Um filme inesquecível do iraniano Majid Majidi.