Qualquer pessoa minimamente atenta às coisas do cinema já deve ter dado pelo extraordinário sucesso do filme A Turma (Entre Les Murs) do francês Laurent Cantet. Milhares de pessoas rendidas ao filme, público e críticos unânimes na avaliação. No estrangeiro a mesma coisa, depois de o ver no meio dos outros 22 filmes a concurso do Festival de Cannes, Sean Penn e todo o júri não hesitaram em atribuir-lhe a Palma de Ouro.
E com razão. É um filme magnífico passado numa escola de Paris, multiétnica, parecido com muitas das nossas escolas da baixa de Lisboa. Com a diferença, talvez, de que estes miúdos de 13, 14 anos têm um pátio para brincar. Enquanto que em Lisboa...
O filme é baseado no livro de François Bégaudeau que também é o protagonista, no papel do professor. Em causa estão as relações de poder na sala de aula, a pressão exercida sobre os alunos e a inevitável descompressão que têm necessidade de exprimir. As dificuldades de comunicação entre alunos e professores, entre professores e professores, pais e professores.
A história envolve um rapaz de origem africana, inadaptado, que por problemas comportamentais é expulso da escola. Nós vemos a origem do incidente que levará a essa situação, mas por muito que queiramos tomar partido, não o podemos fazer, porque compreendemos tudo, a posição do professor, os problemas dos alunos e toda a tensão a que estão sujeitos. Ficamos presos das circunstâncias, vicissitudes, preconceitos. A problemática é exposta. E não apenas o conteúdo moral.
Resta ainda dizer que a interpretação dos alunos e dos professores é magnífica.
Talvez fizesse bem aos nossos professores e alunos, e à Ministra da Educação também, irem ver este filme. Talvez chagassem à conclusão de que as coisas não são nunca inevitáveis, nem voltar atrás é um sinal de fraqueza. As coisas não são a preto e branco.