Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 22:10

Dom, 12/08/12

Eu sei que não interessa para nada, mas atribuindo 3 pontos a cada medalha de ouro, 2 pontos à prata e 1 à de bronze, os países ficam assim alinhados:

 

1 - EUA - 225
2 - CHINA - 190
3 - RÚSSIA - 155
4 - GRÃ-BRETANHA - 123
5 - ALEMANHA - 85
6 - FRANÇA - 67
7 - JAPÃO - 66
8 - AUSTRÁLIA - 65
9 - COREIA DO SUL - 62
10 - ITÁLIA - 53
11 - HUNGRIA - 53




Pedro Marques @ 16:00

Seg, 25/08/08

Atribuindo 3 pontos a uma medalha de ouro, dois à de prata e um à de bronze, parece-me mais justo, o meu ranking das 20 primeiras equipas nos Jogos Olímpicos fica assim ordenado (se é que isto interessa para alguma coisa):

1º China
223
2º EUA 220
3º Rússia 139
4º Grã-Bretanha 98
5º Austrália 89
6º Alemanha 83
7º França 70
8º Coreia do Sul 68
9º Itália 54
10º Japão 49
11º Ucrânia 46
12º Cuba 39
13º Canadá 36
14º Holanda 35
15º Bielorússia 32
16º Quénia 29
17º Brasil 29
18º Espanha 28
19º Jamaica 26
20º Polónia 22

nós temos 5 pontinhos... graças à Vanessa Fernandes e ao Nelson Évora.



Pedro Marques @ 15:37

Ter, 19/08/08

A frase mais usada de todo o jornalismo desportivo português desde que começaram os Jogos Olímpicos é: "ficar aquém". Paulo Catarro na RTP1, por exemplo, não diz outra coisa, com aquele olhar entre o desprendido e o ofendido (que medem bem o oportunismo da televisão portuguesa), desenrola todos os dias listas de atletas portugueses, nunca antes conhecidos, que ficaram longe das suas marcas pessoais. O apresentador das noites olímpicas pergunta aos vários convidados do programa quais são as razões de tamanho desaire da comitiva olímpica, que nunca foi tão numerosa, indaga os motivos, mas não percebe que uma das razões reside na falta de apoio aos atletas que a própria RTP1 demonstrou durante os 4 anos de preparação (pelo menos) dos atletas. A participação ficou aquém? O país está todo aquém.
É claro que para nós, portugueses, é muito difícil engolir as frases do lançador do peso Marco Fortes (que preferia ficar na caminha e depois aconselha toda a gente a lutar pelos mínimos... para quê? será que as caminhas na China são diferentes das portuguesas?), é aflitivo ouvir as frases do Arnaldo Abrantes: que as pernas bloquearam quando partiu para os 200m e que não chegou cansado ao fim(!), sintomáticas as palavras da judoca Telma Monteiro sobre o árbitro dos Jogos (quando todos vimos, no combate, que ela parecia mais preocupada em pentear o carrapito e parecer bonita para a fotografia).
Depois são ofensivas as palavras de Vânia Silva: "Não sou muito dada a este tipo de competições." O quê?! Mas ninguém lhe explicou onde estava? São desesperantes as de Jessica Augusto depois de uma quase magnífica prova, onde só faltou a ponta final, a garra, para ser apurada, que disse "Agora vou de férias. Treinei para os 3000 obstáculos. Não vou aos 5000m. As africanas são fortes. Não vale a pena." Não vale a pena?! O quê?! Ficámos a saber então que se tivesse sido apurada para os 3000m (o que esteve muito perto de alcançar, não fosse a confusão no obstáculo da vala) correria então os 5000m e passaria de medíocre a campeã olímpica de duas provas diferentes em menos de nada. Mais, quando se pode desfrutar dos Jogos (que só acontecem de 4 em 4 anos), não aproveitamos, e depois dizemos que não temos experiência! Já para não falar do cavalo e cavaleiro portugueses que não estão habituados a tecnologia no local de trabalho - é compreensível, dada a cobertura televisiva e mediática quase nula de qualquer evento hípico em Portugal.
Mas devemos aplaudir aqueles que deram o seu melhor. Estou a falar dos nadadores que bateram 5 recordes nacionais de natação, estou a falar da participação do Gustavo Lima que ficou em 4º lugar na vela, estou a falar da participação daquele judoca que chorou no final do combate, não me lembro do nome, falo da Vanessa Fernandes que é um poço de combatividade e garra, de querer e vencer, falo da Naide Gomes que me fez ficar acordado até às 6 da manhã embora não tenha feito mais que saltar quase 1 metro menos do que aquilo que vale, falo do Emanuel Silva que, para mim, vai ser a surpresa portuguesa, porque há sempre uma, não é? Força Emanuel Silva!!!! Falo do Nelson Évora que não nos deve desiludir da mesma maneira que a Naide (apenas por razões estatísticas, claro) e falo de todos os outros que deram o seu máximo. Não devemos pedir medalhas aos atletas portugueses, devemos pedir esforço, dedicação, brio, profissionalismo. Não devemos pedir declarações pomposas, devemos pedir acções heróicas.
Se não pedirmos medalhas, se não criarmos expectativas, se não fizermos grande alarido nunca ficaremos aquém.
Não podemos agora, por outro lado, fingir-nos preocupados com a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos quando 80/90% da população portuguesa nunca assistiu a uma competição de natação, hipismo, judo, atletismo, vela, ou ténis de mesa. Como é que se pode pedir a um atleta que se exceda se sabe que não vai ser proporcionalmente correspondido pelo povo que representa?
Antes de pedirmos contas à maior comitiva portuguesa de sempre nuns Jogos Olímpicos devemos reconhecer que ela espelha exactamente o Portugal em que vivemos. Portugal também só fez os mínimos para entrar na CEE. Depois foi o que se viu... medalhas só a de ouro no Desperdício de Recursos Humanos. Daí para cá tem sido uma história de alguns recordes nacionais (o índice de desemprego, a precariedade e ignorância), algumas vitórias (das mais baixas taxas de morte infantil do mundo) e muita oca esperança no futuro (pelo menos).
Acho que devíamos receber todos os atletas como compatriotas e explicar-lhes apenas, sem moralismos, o que significa competir por uma bandeira, um desígnio, uma língua, uma coisa qualquer, uma lata de desodorizante, um sapato de ténis, um bife ou uma caminha.
Ou seja, o que significa competir.
Dizer-lhes que se trata de uma celebração de vida e vitalidade. De força e razão. Uma espécie de esperança. Como disse o ex-nadador olímpico José Couto num recente debate na RTP1: "Desporto é saúde: não é só vitórias."



Pedro Marques @ 21:50

Qua, 13/08/08

Os povos da antiga Grécia sabiam realmente o que faziam.
Não só nos mostraram como nos devíamos organizar no presente em que o fizeram, como no futuro que programaram. A democracia do povo cruzou séculos para ser reinventada no Renascimento e chegar aos nossos dias, desvirtuada, espezinhada sim, mas, não obstante, tenaz.
Os gregos clássicos até inventaram os jogos olímpicos como garante de paz e tréguas entre as nações (naquela altura, cidades-estado). Para além de tributo aos deuses, os jogos olímpicos (que faziam parte de outros jogos pan-helénicos) eram também oportunidade para o desenvolvimento do elevado sentido estético dos gregos.
Talvez seja por isso que a verdadeira intenção das competições desportivas tenha sido tão desvirtuada com o passar dos séculos, à medida que o corpo era visto como pecado, algo que devia ser escondido e preservado puro, e o sentido estético reduzido a um qualquer comportamento religioso. Para o imperador romano Teodósio I os jogos eram tão perigosos que foram pura e simplesmente banidos sob seu mandato - embora nessa altura os próprios jogos já tivessem degenerado em magníficas orgias. Os gregos sabiam-na mesmo toda...
Na era moderna, assistimos a uma grande esquizofrenia. Em Agosto do ano 2008, em Pequim, desportistas de todo o mundo lutam consigo próprios, com os seus limites, com adversários que respeitam, revivendo a beleza e audácia, a excelência e humildade, alimentando-nos a esperança de competições pacíficas, enquanto em Gori e Tblissi, os mesmos homens lutam com armas e mísseis, exterminam populações inteiras, fomentam o horror e o pânico de dia ou de noite, com bombas, discursos inflamados e balas.
Hoje em dia podemos ver os jogos olímpicos e a guerra como antagónicos mas também como duas faces da mesma moeda que se chama "Competição". Que em si mesma não é "má". Significa apenas "antagonismo". E talvez até desenvolvimento. Só que na guerra esse desenvolvimento leva à destruição (mais uma esquizofrenia), enquanto que nos jogos olímpicos leva à glorificação do ser humano naquilo que ele tem de mais extraordinário - através do corpo.
É por isso que me deprime e exalta assistir aos jogos olímpicos. De um lado vejo a glorificação da paz e do outro a exaltação nacionalista. Em 1920 incluiu-se no juramento dos jogos a expressão, "honrar a equipa" em vez de "honrar o país". Talvez fosse hora de voltar a incluí-la nos discursos dos responsáveis, competidores e media, podia ser que aí pudéssemos começar a vislumbrar algo do verdadeiro espírito olímpico. Podia ser que os jogos olímpicos da era moderna correspondessem a um verdadeiro pensamento filosófico e estético que fosse capaz de banir de vez o recurso à violência sanguinária para resolver problemas.