Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 02:40

Sab, 07/02/09

É o amor. Preserva as tuas entranhas,

porque a paixão não é fácil,

e tudo o que se elege se consome,

ainda que tenha razão.

Vive livre dele,

porque a calma do amor é a fadiga,

indisposição o seu começo, e morte o seu final.

Para mim, sem dúvida,

o morrer por amor é um viver,

e o favor o devo àquele que amo.

Dou-te estes conselhos

porque conheço muito bem o que é o amor.

Mas se tu preferes contradizer-me,

escolhe o que muito bem te agradar.

Se desejas viver prazenteiramente

morre mártir por ele; se não o fizeres,

o amor tem já a sua própria gente.

Quem não morre de amor, por ele não vive.

E o mel não o podes colher

sem te expores às picadas das abelhas.

 

Ibn Al-Farid, Qual É a Minha Ou a Tua Língua? Assírio e Alvim.