Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 12:01

Qui, 13/11/08

Mais uma manifestação de professores, mais uma inutilidade. Quando é que eles vão reconhecer que precisam de ser avaliados? Que há colegas, sim, professores, eu conheci-os, que não merecem o privilégio de poderem ensinar? Quando é que percebem que esses medíocres professores minam um sistema que se quer saudável e dinâmico e operante?

Por muito nobre que a profissão seja, e é, a maneira como se manifesta para reivindicar os seus direitos, indo para a rua com slogans pueris, como se se tratassem de alunos mal comportados, não dignifica nem a luta nem a classe. Não que eu seja contra as manifestações, nada disso, mas porque sinto que aquelas pessoas estão todas ali apenas por um motivo. Para não darem aulas.

Eles falam da profissão de desgaste. O futebolista é uma profissão de desgaste, o bailarino é uma profissão de desgaste, agora os professores, só falta os conselhos de administração das empresas do estado dizerem que também têm uma profissão de desgaste. Aliás, o que é isso de uma profissão de desgaste? Um operário da construção civil não tem uma profissão de desgaste, uma pessoa que serve à mesa não tem uma profissão de desgaste? Expliquem-me por favor este critério.

Querem a progressão automática na carreira. Uau. Eu também quero. Eu quero mais. Quero ficar em casa, de baixa, a progredir na carreira, 15% no mínimo, de aumento de ordenado ao ano. Pode ser? É inacreditável as parvoíces que esta corporação abespinhada consegue sustentar. Dêem-se por felizes por terem um emprego nesta sociedade de merda que, já se sabe, não atribui méritos, e também por culpa de muitos professores (que para além de serem professores também são pais, o que quer dizer que às vezes estragam várias famílias e não apenas uma), a ninguém com valor, senão às pessoas que são mais padronizadas, que baixam mais vezes a cabeça ao professor, que se adaptam à injustiça das suas práticas.

Se não querem que os professores que fazem isso, e eu sei que fazem por experiência, sejam avaliados e postos nos seus devidos lugares, a fazer tricot ou simplesmente em casa, então é porque o caso é mesmo grave e os professores são todos iguais. O que não me parece que seja justo pensar.

Desculpem-me os professores que aqui me lêem, mas esta luta está a raiar o absurdo.


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