GEORGE DUKE
Nascido em San Rafael, Califórnia, a 12 de Janeiro de 1946,
George Duke assimilou o jazz durante grande parte da sua educação: a mãe levou-o a ver Duke Ellington aos 4 anos. Aos 7 tocava piano ao estilo gospel e melodias de Les McCann, e conheceu Miles Davis na sua viragem para as raízes soul no princípio dos anos 50. Estudou piano e trombone no Conservatório e recebeu um bacharelato em composição do conservatório de San Francisco em 1967 e um diploma de mestre da Universidade Estatal da Califórnia. Foi presença regular do clube Half Note em San Francisco entre 1965 e 1967. No final dos anos 60 liderou o seu grupo vocal chamado Third Wave e apoiou estrelas jazz como Dizzy Gillespie, Bobby Hutcherson (que tocou marimba no disco de Eric Dolphy,
Out to Lunch) e Harold Land, o saxofone tenor da Costa Oeste. O seu álbum de 1966,
Presented by the Jazz Workshop revela o toque-MOR de muito jazz da Costa Oeste, ritmos latinos e um suave feliscórnio (tocado por David Simmons), mas já se ouve o estilo inconfundível de George Duke: improvisações ricas baseadas numa espécie de funk benigno e sorridente. Em 1968 fez digressão com Don Ellis que o iniciou nos teclados electrónicos. Duke tocou pela primeira vez com Jean-Luc Ponty num clube nocturno de L. A. depois de ouvir disco dele e o assediar com cartas e gravações.
Quando começámos a tocar no Donte’s, nenhum de nós tinha ouvido o outro, mesmo assim ficámos tão excitados os dois que não queríamos parar. Foi um sentimento único. O Jean-Luc Ponty ouviu coisas na minha maneira de tocar que o inspiraram e eu, às vezes, só queria era recostar-me e ouvir aquele violino a lamentar-se.
O estilo de Duke deriva evidentemente de McCoy Tyner, adopta os acordes cheios e a expansão harmónica do pianista de Coltrane que servem perfeitamente o violino coltraniano de Ponty.

Ambos gostavam de ‘rockar’ (relacionando-se com toda a música pesada que havia à sua volta), por isso é muito difícil surpreendermo-nos com o facto de se terem dado tão bem. A música que fizeram juntos é estimulante, um certo tipo de ‘jazz-rock’. Em
Live in Los Angeles tocam com uma suavidade linear, diferente da integridade monolítica dos Mothers originais, mas que Zappa adaptou quando começou a usar Duke e Ponty (particularmente evidente em
Overnite Sensation). Ponty parece fazer referência a ‘King Kong’ nos seus solos ‘Foosh’ e ‘Contact’, e Duke parece ecoar os seus solos de
The Grand Wazoo, mas é com certeza a aptidão de Zappa para fazer com que as coisas dos seus músicos pareçam completamente suas. Depois de se juntar a Cannonball Adderley (1971-2), o seu sucessor no grande conjunto de soul-jazz foi Joe Zawinul; depois de uma importante temporada com os Mothers (1972-5), George Duke iria seguir Zawinul até à estratosfera técnica (e económica) da fusão.
Ao princípio Duke tinha problemas para se relacionar com os pedidos de Zappa. Num dos primeiros ensaios foi-lhe pedido para tocar tríades em tercinas: ficou desgostoso (‘Venho do jazz! Percebes!’), mas mais tarde apreciou a lição com uma seriedade que lhe não é habitual. George Duke tocou teclados na formação dos Mothers que se tornou reconhecidamente favorita: a combinação de educação harmónica, blues, sentido funk e bom humor era ideal. Zappa comentou:
Não acho que estivesse a tocar tão bem nessa altura, só que era muito fácil com o George, principalmente porque é um grande músico, podemos confiar que ele há-de tocar sempre qualquer coisa musical a acompanhar-te. Não é só questão de ter um teclista que se arrasta e está ali durante um solo qualquer. O George parecia sempre apoiar quem quer que estivesse a fazer um solo, fosse o Napoleon, eu, ou qualquer outra pessoa. Nem sempre tenho a mesma sensação quando toco com outros acompanhantes.
Quando estava com Zappa, Duke gravou para a etiqueta German MPS, um tipo de ‘funk engraçado’ que antecedeu muita da ‘inovação’ M-Base dos anos 80 que se alargou depois para o P-Funk e Fuzak, tornando-se chato como arranjador e produtor. Foi proeminente na organização da banda para o concerto de lançamento de Mandela em 1990 e contribuiu com uma faixa para
Tutu, a obra-prima do período final de Miles Davis. As tercinas de tríades parecem ter sido a saída do gueto do jazz.