Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.



Pedro Marques @ 23:39

Qua, 06/05/09

Houve uma altura, no princípio do século XX, em que parecia possível um mundo novo. Forjavam-se na Europa, por todo o lado, novas maneiras de pensar, abandonavam-se velhos hábitos, sociedades, pensamentos, artes.

Foi um período áureo que, como todos sabemos, mais tarde conduziu à catástrofe. Mas não só por responsabilidade do construtivismo russo (ou soviético, se quiserem) de que é exemplo este cartaz, o futurismo italiano de Boccioni / Marinetti e companhia, que cuspia em todas as formas de arte passadistas também conduziu aos nacionalismos militaristas que eclodiram na primeira guerra mundial e criaram as raízes que finalmente levaram o mundo ocidental à barbárie do nazismo. Mas, como sempre, as coisas não são totalmente más nem totalmente boas. É preciso olhar para as coisas de maneira diferente, da mesma maneira que estes tipos o fizeram.

Este cartaz é dessa altura, a senhora grita: "Livros! De todas as esferas do conhecimento!" As coisas podem ter degenerado mais tarde, mas que ela tinha razão, lá isso tinha.