Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 17:03

Sab, 04/09/10

 

Se o Carlos Cruz fosse realmente inocente fazia o alarido que fez ontem, desmultiplicando-se em entrevistas, bradando aos sete ventos e às misteriosas brumas do seu advogado, alternando o insulto público aos magistrados com referências à própria família? Cavalgando a imagética de um Portugal medieval dos Távoras (Távoras na idade média? que pontapé) Carlos Cruz e o seu advogado puseram o estado de Direito nas ruas da amargura a propósito de uma suposta cabala contra a figura pública C. Cruz.

 

 

Os dois quiseram fazer crer, perante a comunicação social, de que há pessoas que querem muito mal ao C. Cruz. Porquê? Isso não se diz. Quem são essas pessoas? Não se pode dizer por medo de represálias. Isto é tudo credível? Para mim, não. Custa-me a engolir isto tudo.

Eu prefiro acreditar, apesar de tudo o que se possa dizer sobre a justiça portuguesa, que finalmente a justiça portuguesa pôde, apesar de todo o poder que C. Cruz supostamente tem (de prolongar um caso destes durante tanto tempo, por exemplo, com um dos melhores advogados portugueses), condenar os poderosos, aqueles médicos e advogados, apresentadores de televisão e figuras públicas que humilhavam menores para seu divertimento.

O que é verdade é que há vítimas. Vítimas de abusos continuados, a troco de presentes, dinheiro e sei lá que mais. E se as vítimas escolheram estas pessoas para acusar não é porque têm alguma coisa contra a figura pública C. Cruz mas sim contra o cidadão C. Cruz.

É claro que o apresentador vai usar de todos os meios para se defender (já percebemos), mas ainda não consigo perceber por que é que uma pessoa que passou de arguido a acusado continua a usar a comunicação social para se defender em praça pública. É um direito que ele tem, dir-me-ão. Concordo. Mas, se ele fosse realmente inocente fazia aquela figura?