Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 02:41

Qua, 07/07/10

Depois de ver Addendum de Peter Joseph (pela segunda vez), a continuação de Zeitgeist, não podia ficar indiferente ao filme e não deixar pelo menos aqui alguns pensamentos.

O filme de duas horas analisa toda a nossa sociedade, começando pelo desmantelamento das nossas instituições: legais, financeiras, poílticas, reiligiosas. Escalpeliza o nosso sistema monetário criado com base em diversas fraudes. O endividamento e inflação crescentes apoiados no Federal Bank dos Estados Unidos e as suas instituições irmãs: o Banco Mundial e o FMI que parasitam todo o nosso mundo com um único objectivo: o lucro.

Segundo, revela-nos aquilo que é um "economic hit man". Ou seja, um assassino económico. Em ideias gerais: aqueles tipos que o governo dos Estados Unidos manda para os países com alguns recursos, como o petróleo, por exemplo, para de seguida os convencer de um empréstimo, que acaba por não beneficiar esses países, porque o dinheiro vai para as grandes corporações e empresas norte-americanas que constroem as infra-estruturas. O país acaba por ficar com uma enorme dívida que não consegue pagar. De seguida os americanos entram e dizem, "olhem, vocês têm uma dívida que não conseguem pagar, por isso, vendam-nos o petróleo abaixo do preço de mercado, ou, deixem-nos construir uma base militar, mandem tropas para nos apoiar acolá, ou, apoiem-nos numa resolução da ONU, ou, privatizem o vosso sistema de esgotos, ou água, ou electricidade, etc.

John Perkins, um "economic hit-man" revela-nos os segredos das acções em 1953 no Irão, em 1954 na Guatemala, os assassinatos da CIA no Equador e no Panamá em 1981, conta-nos a história de Chaves na Venezuela e de como os EUA não o conseguiram derrubar apesar de terem chegado a encenar um golpe de estado pagando a milhares de pessoas para irem para a rua. E desde os anos 90 com Saddam Hussein e a sua teimosia que não o deixava corromper-se até ao World Trade Center que precipitou a sua queda.

É uma questão de tempo até as coisas virarem. O capitalismo está a comer-se por dentro. A única maneira de pagar as dívidas é pedindo mais dinheiro e com isso originar mais dívidas, o capitalismo é um beco sem saída que vai bater com toda a força na parede das suas iniquidades.

Todas estas histórias para demonstrar que se não quisermos sucumbir a um sistema monetário, financeiro e económico baseado na ganância, lucro e injustiça (que não são atributos da natureza humana e sim comportamentos da natureza humana que os humanos mimetizam através da sociedade gananciosa e injusta em que vivem), devemos fazer 3 coisas:

1 - Boicotar os três principais bancos do cartel dos EUA ligados ao Federal Bank: Citybank, JP Morgan Chase e Bank Of America. Se tiver dinheiro nestas instituições, retire-o e deposite noutro banco. Se tiver acções deles, venda-as. Se trabalha para eles, demita-se.

2 - Desligar a televisão: CNN, NBC, ABC, FOX, e em Portugal RTP, SIC e TVI, são agências a soldo das corporações. Não são objectivas e independentes. Use a partir de agora as agências de notícias independentes que estão a nascer na www, proteja e defenda a internet sempre.

3 - Não se aliste nem deixe que ninguém se aliste em instituições militares. São instituições obsoletas que não têm qualquer relevância nos dias de hoje.

4 - Desligue-se das energias normais. Pesquise todas as energias alternativas e tente fazer com que a sua casa se torne sustentável. Procure carros híbridos ou eléctricos.

5 - Rejeite o sistema político. A democracia é um atentado à nossa inteligência. Nunca houve nem poderá haver verdadeira democracia num sistema monetário baseado no lucro.

6 - Join the movement.

Acreditem que a revolução é possível. Não a revolução vermelha, comunista ou socialista. A verdadeira revolução. Aquela que não tem dono nem chefe. A revolução verde. A verdadeira utopia que assenta na crença de que a tecnologia e aquilo que nós fazemos com ela (a verdadeira extensão das capacidades dos seres humanos) pode mudar o mundo.

Temos fontes de energias renováveis perenes: o sol, o vento, as marés, a energia geotérmica. Os transportes - comboios em vácuo e automóveis electricos. O trabalho que pode ser feito em cerca de 90% por máquinas. Se há alguma coisa que vemos na evolução do homem foi o sistemático aperfeiçoamento das suas capacidades - a tecnologia. Aquilo que nos vendem, que se não houver trabalho as pessoas se deitam a não fazer nada, é pura e simplesmente mentira. Há muita coisa para fazer na vida do que ficar escravizado a um emprego porque se tem de pagar a hipoteca. Fujam disso!

Acompanhem também The Venus Project - Para além da política, guerra e pobreza.




Pedro Marques @ 16:56

Qui, 16/10/08

Já está à disposição a continuação do filme Zeitgeist. Se no primeiro filme, alguma da especulação podia dar lugar a cepticismos, em Addendum a objectividade é a palavra de ordem. O foco principal é o sistema monetário e os esforços que o corporativismo financeiro leva a cabo para sujeitar nações inteiras à escravidão através de dívidas.
É uma brilhante e aterrorizadora análise do sistema financeiro mundial, da crise e alienação a que estamos sujeitos nas nossa vidas vidas neuróticas. Aproxima-se de muita da filosofia que tenho vindo a veicular nos últimos dois anos aqui no Fora de Cena, através dos escritos de Edward Bond ou através do meu trabalho no teatro com Orgia ou Gengis Entre os Pigmeus. Não digo isto para me vangloriar mas para me certificar de que realmente não sou o único a pensar que o mundo, tal como ele é gerido e mantido, é uma arrebatadora fraude a que ninguém pode ficar alheio.
Quer se concorde ou não com o ponto de vista, depois do filme ninguém tem a possibilidade de dizer mais tarde, "eu não sabia". Ninguém poderá dizer depois do colapso do sistema monetário que nunca pensou que as coisas chegassem a este ponto. O sistema financeiro tal como existe hoje, a sua filosofia primária conduzirá o mundo à catástrofe. É nosso dever, pelos nossos filhos e descendentes, tornarmo-nos todos conscientes do perigo que corremos se continuarmos o estilo de vida que levamos e combatê-lo com todos os meios ao nosso alcance.
Para acabar, se acham isto relevante, juntem-se ao movimento Zeitgeist e participem numa mudança que atravessará continentes, religiões, estados e o tempo, inscrevam-se aqui.