(...) Não há fontes na terra para a sua sede
cheira a outono sente-se sozinho
nunca foi tão nocturna noite alguma
nenhuma evitou tanto a madrugada
a amada justiçada vive agora a sua vida
ele fez tudo aquilo quanto fez e agora que fazer
mais do que caminhar ser um dos habitantes
de um mundo que antes nunca habitou tanto
porquanto ama a donzela mais donzela do que antes
para quem possui nela muito mais que ela
e não tem nome tudo o que tem nela
pois sabe que além dela não há nada
As nuvens no luar matam a luz
e o vento é a voz da alvorada
a luz não alucina alucinados
e aquele homem ou rei vê caminhando que
com o orvalho vêm coisas finalmente novas (...)
Ruy Belo, A Margem da Alegria