Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 11:30

Dom, 17/02/08

(...) Não há fontes na terra para a sua sede
cheira a outono sente-se sozinho
nunca foi tão nocturna noite alguma
nenhuma evitou tanto a madrugada
a amada justiçada vive agora a sua vida
ele fez tudo aquilo quanto fez e agora que fazer
mais do que caminhar ser um dos habitantes
de um mundo que antes nunca habitou tanto
porquanto ama a donzela mais donzela do que antes
para quem possui nela muito mais que ela
e não tem nome tudo o que tem nela
pois sabe que além dela não há nada
As nuvens no luar matam a luz
e o vento é a voz da alvorada
a luz não alucina alucinados
e aquele homem ou rei vê caminhando que
com o orvalho vêm coisas finalmente novas (...)

Ruy Belo, A Margem da Alegria



Pedro Marques @ 19:10

Sab, 09/02/08

Desespero se espero e ora quero ora não quero
e a terra putrefacta do meu peito
tão depressa a aceito como a enjeito
E o anjo que a vela um demónio se revela
a pedro que a coisas quaisquer prefere essa mulher
que tarde o despertou e ao despertar matou
com morte de que vive e ai de quem o prive
da permanente morte que lhe coube em sorte
e o verdadeiro bem que tem é essa mulher mãe
e é tão humildemente humano que até chega a ser divino
e que se vem de um país perdido vai para um país sonhado

Ruy Belo, A Margem da Alegria