Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 20:18

Qui, 08/01/09

Mais uma vez o primeiro-ministro foi à televisão, neste caso, à SIC, para falar do país. Mais uma vez tivemos oportunidade para fazer uma entrevista profunda e, como de costume, a oportunidade perdeu-se. Dois jornalistas que estão mais preocupados em fazer voz das polémicas que fazem aberturas de telejornais, arrogantes, intrusivos, que fazem perguntas para obterem respostas polémicas. Nada de extraordinário, já sabemos o que a casa gasta, mas às vezes podíamos ver um bocadinho mais longe. A maneira como interrompiam o entrevistado chegava a ser insultuosa para os espectadores, imaginem agora para a própria pessoa. Eu, às tantas, imaginava quando é que o Sócrates se levantava para lhes dar um par de estalos. Mesmo assim, e inevitavelmente, ficámos a saber coisas interessantes.

Vamos entrar em recessão, já não me lembro há quanto tempo não ouvia uma notícia tão boa. Eu explico. Estou desempregado. Pior não posso ficar. Para além disso, se arranjar um trabalho que me dê dinheiro as coisas vão ficar mais baratas. Não foi ele que disse que quem tem emprego vai ficar melhor? Os juros descem, os preços descem, que mais coisas boas podem acontecer? Aliás, para que é que queremos crescer mais? Queremos crescer para onde?

Crise? Para quem? Para a malta que tem muito dinheiro, fazia dinheiro com dinheiro e o tinha investido em acções duvidosas e agora ficou a arder...? Oh que pena. Quem trabalha e ganha dinheiro com o seu trabalho, estará melhor, e é isso que interessa.

Deflação. Quando havia inflação víamos isso como uma coisa má, agora temos a deflação que é o contrário e continua a ser mau? Expliquem-me por favor, porque não percebo.

Eu só quero saber se estamos a apostar na formação das pessoas. Estamos? Mais e melhores frutos virão. Estamos a apostar em energias alternativas? Ainda bem. Isso só pode ser bom a médio e longo prazo. São estas as verdadeiras políticas que interessam. É isso que o governo diz que faz. Mal? Bem? Talvez as duas coisas. Mas temos tempo para corrigir pormenores. Não temos é tempo para inverter essa marcha. Se por algum acaso se invertesse esta política de aposta na reforma da educação que, quer se concorde ou não, está a ser feita, isso seria avisado? Não me parece. Apostar na energia solar, eólica, explorar os recursos hídricos é mau? Não me parece.

O governo é bem intencionado, e mais do que isso, sabe bem aquilo que quer e o que pode fazer. A conjuntura internacional não é boa. Mas quando ela melhorar estaremos mais aptos se apostarmos nas coisas que realmente interessam: informação, formação, ecologia.

Só falta termos um Ministério da Cultura com política definida e vista como estrutural para a mudança que se quer fazer. Enquanto a Cultura (no sentido mais lato que se quiser dar - a sua articulação com a educação, a ciência) não for vista como meio de proporcionar aos cidadãos portugueses uma vida de qualidade, estaremos a desperdiçar os recursos que tão carinhosamente alimentamos na educação e ecologia. A criatividade dos portugueses tem de ser despertada, temos de acreditar que podemos fazer coisas diferentes e não apenas aquilo que já foi feito lá fora (como dizia o nosso actual Presidente da República quando era primeiro-ministro.).

Precisamos dessa coragem. A coragem de não ter medo da crise. A coragem da criatividade.  Não devemos ter medo do erro. Aliás, a crise não existe. A crise é uma finta deles, é uma mentira, mais uma, não devemos acreditar nela. Em crise andamos nós há muito tempo...

Desejo a todos um bom ano.