Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 16:37

Qua, 31/12/08

2009 vai ser diferente. Vai ser definitivamente diferente. Todos os pensamentos impuros estão para trás, é o ano dos 40 anos. Faço 40 anos em 2009. Se calhar devia estar a enfrentar uma crise de identidade. Mas não. A crise de identidade é que me enfrenta a mim. Eu ando em crise de identidade há precisamente... 40 anos. É isso. Desde o princípio dos (meus) tempos até ao universal instante do agora que não sei quem sou. Não sei.

Posso definir prioridades, estabelecer um objectivo para a vida, mas não sei quem sou. Posso amar pessoas e odiá-las logo de seguida. Por nada. É uma condição essencial. Mudo a vida por tudo e por nada mas não sei quem sou. Sigo o meu caminho, intrépido, dedidido, mas não sei quem sou. E acho que nunca soube. Ou talvez tenha sabido. Nos recônditos recôncavos da minha infância. E mesmo aí...

Não me orgulho de muito que fiz - foi sempre verdadeiro. Não digo que tenha sido sempre com boa intenção. Mas, que sei eu do que é bom?

Amanhã é outro dia, outro ano - 2009.

O ano em que vamos continuar a ver mirrar este pequeno pedaço de terra a que chamamos Portugal. A ficar cada vez mais pequeno. Pequeno em intensidade, bem entendido. Vamos vê-lo ficar cada vez com menos brilho até às eleições, que serão um momento de euforia colectiva, regrada é certo, mas nem sempre sincera. Será o ano em que o país andará para a frente proque não tem mais nenhum sítio para onde ir. 

Não podemos ficar assim, contentes com o que temos, não podemos? E depois melhorar, apenas, mais um bocadinho, modestamente, sem pressas. Sem ansiedades.

Não podemos dar mais valor às pessoas que querem fazer coisas diferentes? Aos milhares de portugueses que pensam diferente não por serem do contra mas apenas porque estão acordados? Temos sempre de dar valor ao que é conhecido, à cunha, à superficialidade?

Não podemos tratar apenas da nossa vidinha (sem olhar para o umbigo) e esquecer todas as fugas absurdas e os medos infundados?

Não podemos, finalmente, tirar fora dos nossos ombros aquilo que nos oprime? Temos sempre de ser subservientes à ignorância e obtusidade?

Não podemos tentar falar as coisas, com veemência, sim, claro, mas também com dignidade? Podemos ter espinha dorsal? Hã? Portugal! Podemos lutar por aquilo em que acreditamos ou somos apenas um atavismo?

 

Sou um homem. Um náufrago depois da tempestade. Ainda me falta encontrar a ilha. A ilha de Próspero. Onde viverei com a minha filha e alguns espíritos. Até a vida me encontrar e levar a outra viagem. Desta vez sem regresso.