Tinha grande curiosidade e medo de ver este filme. Curiosidade por motivos óbvios, a actualidade da personagem que está em causa, o actor que o representa. O realizador que era. Medo porque podia ser uma grande bosta e o Oliver Stone podia enterrar-se completamente como às vezes acontece.
Depois de terminar fiquei com três observações. Primeira. Por que é que se faz um filme destes, onde é que se quer chegar?
Segunda. É muito difícil fazer um filme sobre uma vida destas, durante duas horas sem se ser superficial.
Terceira. O filme tenta demasiado ser o contrário daquilo que se está à espera.
Na busca por uma verdade profunda que o homem mais poderoso do mundo com certeza esconde, o filme perde-se em demasiados pormenores que nunca chega a aprofundar devido aos compromissos que tem de assumir para com a narrativa. Por isso mesmo não analisa de modo perfunctório e pormenorizado como seria de esperar, a dependência da bebida de W. Bush, a conversão à religião, a relação com o pai, a relação com o irmão, que nem sequer aparece, a relação dentro do seu círculo de conselheiros, o sonho do baseball, etc, tudo fica a meio caminho, é-nos oferecida apenas uma pincelada leve, leve demais...
É um filme que fica a meio caminho do seu objectivo, com um argumento demasiado escrito e didascálico, irónico por vezes, sustentado por uma magnifíca intepretação de Josh Brolin.
Se se tivesse centrado num curto espaço de tempo do percurso de George W. Bush e tentado aí mostrar como a vida toda dele se passou, talvez tivesse ganho em profundidade e pathos. Mas o objectivo era fazer também um documentário fresco dos acontecimentos recentes, e perceber como é que um homem que é praticamente alcoólico chega a presidente dos Estados Unidos da América.
É uma espécie de remake do american dream que os realizadores americanos normalmente filmam, só que desta vez, a personagem não é louvável mas sim uma criança com necessidade de reconhecimento por parte do pai H. W. Uma espécie de Forrest Gump actualizado.
O que o filme mostra de Bush é um lado benigno que, em nome de todas as pessoas massacradas nas sucessivas burrices de que ele é responsável, não é justo, uma falta de decisão e de verticalidade que encontramos na personagem que lhe conferem ingenuidade e vitimização que não deixam ver mais longe.
Contudo, percebe-se que Oliver Stone quer fazer um filme sério. O problema é que há demasiadas falhas, ele tenta tocar todos os instrumentos, quer ser irónico e benigno, sério e casual, actualizado e documental, sem se fixar numa leitura. Daí a primeira questão que levantei neste texto. Sofre o argumento do mesmo problema do protagonista. Talvez faltasse um bocadinho de distância no tempo, como acontece nos outros brilhantes filmes, JFK e Nixon, de Oliver Stone, para podermos mergulhar no mundo corruptivo dos poderosos, mas talvez seja esse o charme dele...
Aconselho a ir ver porque vale uma boa conversa com uma boa companhia.