Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 20:54

Sex, 28/03/08

Um homem deambula por uma rua de Marrocos, à noite. Ele não conhece a cidade. Por isso, aos grupos de jovens que vê, chama-lhes gangs. Um deles passa por ele. Veste um fato preto. Pára à frente dele, vira-se e barra-lhe o caminho. O homem do fato preto pergunta-lhe, ‘Quer que eu o mate?’ Não está nem zangado nem é violento. Como se o quisesse realmente ajudar. Claro, o outro homem desvia-se dele e apressa o passo. Mas o homem de fato negro segue-o. Ultrapassa-o mais uma vez, pára, vira-se, barra-lhe o caminho e, aparentemente, sem qualquer ofensa pergunta, ‘Quer que eu o mate?’ O homem apressa o passo mais uma vez. Não corre porque tem medo de chamar a atenção. É muito provável que alguns dos jovens dos gangs venham ajudar o homem do fato preto. O homem segue-o uma terceira vez, ultrapassa-o, pára, vira-se, barra-lhe o caminho e faz a pergunta. O homem apressa o passo. Mas desta vez o homem do fato preto não o segue e o homem chega são e salvo ao hotel.
Quando me contaram esta história eu estava com uns amigos. Começaram a tentar explicá-la. Talvez ‘matar’ fosse um código. Talvez significasse ‘Queres drogas?’ Talvez o homem do fato preto fosse homossexual e tivesse dito "beije" em vez de "mate" e o outro tivesse ouvido mal porque estava tenso. Talvez fosse um local especial para convites. Talvez significasse uma visita a uns certos bordéis. Talvez a morte fosse simbólica. Ou uma fantasia. Talvez o outro homem tivesse mesmo compreendido mal. E por aí adiante. Para mim, estas explicações estragaram a história. Explicavam-na mas não lhe davam significado. Suponham que a palavra foi mal ouvida ou mal compreendida — e depois? O facto é que o homem podia andar na rua e acreditar ter ouvido tal palavra. Talvez isto diga mais, não sobre Marrocos, mas sobre Manchester ou Chicago. O que é interessante é que o mistério da história projecta muita luz na realidade. Devemos evitar confusões e misticismos, mas isso não significa que as histórias não devam formar os seus próprios significados.

Edward Bond, Fables


Xavier @ 00:23

Sab, 29/03/08

 

Confesso que não compreendi este conto. Não vi nem muita nem pouca da “luz” projectada na realidade que Bond refere. Quererá Bond dizer que não devemos tentar perceber certas histórias, mas aceitá-las como são porque têm um significado, apesar de ser demasiado profundo para o nosso entendimento? Do género “Deus escreve direito por linhas tortas”? Não creio nisso, pois seria um convite a não raciocinar, à preguiça mental, a ter “fé”.
Creio que, como se trata aqui da reacção do dramaturgo britânico a uma experiência pessoal e nada pode ser compreendido fora do seu contexto, o “mistério da história” só poderá ser bem entendido pelos que conhecem a obra e a vida deste escritor. Não é o meu caso, pelo que assumo a minha ignorância nesta matéria. E só o faço porque, parece, todos os demais leitores deste blogue são de uma erudição extraordinária. ;-)

Anónimo @ 01:01

Sab, 29/03/08

 

Para o Bond o importante é que o homem considerou uma possibilidade poder ouvir aquela frase. Isso é o mais importante. Não faz psicologismos sobre as motivações das personagens mas abre luz sobre a realidade particular onde se passa o conto - que podia ser em Manchester ou Chicago. É assim que entendo.
Mas posso estar errado e não é por saber mais ou menos da vida do autor, Xavier.
Estás a falar de que leitores, é que há tão poucos...

Xavier @ 02:39

Sab, 29/03/08

 

Creio que Bond estava errado. Quero dizer, ouvir aquela frase - Quer que eu o mate? - noutras cidades de culturas diferentes, só se o homem estivesse psicologicamente perturbado. Trata-se de uma frase complexa, indica uma determinação fatal, e é ouvida com uma entoação serena de quem pergunta: Que horas são, por favor...
É de um "nonsense" à Monty Phyton, muito "British".
Mencionei esses eruditos leitores, precisamente por serem poucos, e porque acho que deviam ser mais participativos. Quase nem se dignam a fazer um pequeno comentário aos excelentes artigos postados. Terão receio de alguma crítica ou confronto de ideias? E, já agora. serem poucos será sintomático do número de pessoas capazes de absorverem a boa cultura, nesta terra? Seremos um povo maioritariamente Pimba ou Chunga? Cerca de 11 milhões de "Grunhos".
Dúvidas,dúvidas... Como diria René: Duvido, logo hesito.

Anónimo @ 13:13

Sab, 29/03/08

 

BOA XAVIER Tou contigo ;P

qtamjcjrezj @ 23:46

Qui, 08/09/11

 

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