Termina hoje o prazo de entrega para o concurso de apoio a projectos pontuais de teatro. A companhia de teatro A&M decidiu não se candidatar ao concurso porque pensa que todo o panorama de criação e produção de peças de teatro em Portugal não pode estar sujeito e condicionado à atribuição de subsídios. Não nos candidatámos porque consideramos a subsídio-dependência um gueto cultural perigoso e não ético. O teatro precisa de público e de viver do público. Com todos os riscos que daí vêm. Achar que o teatro e as artes performativas devem estar à margem do mercado é querer viver à parte da sociedade e não operar com a dialéctica que torna o teatro e a arte viva: a sua relação com o público...
Depois do Programa Operacional de Cultura ter equipado os teatros por todo o país, depois dos teatros terem programadores e equipas técnicas para os pôr a funcionar, é preciso existirem companhias que proponham trabalhos para animar esses sítios.
O problema com que tenho deparado quando faço propostas a esses teatros é que os programadores não sabem que dinheiro vão ter para a programação deste ano. Como é que se pode pôr estas companhias a trabalhar se os sítios onde podem apresentar os trabalhos não sabem que dinheiro vão ter e consequentemente não podem programar? Como é que se pode programar se não se sabe que dinheiro se vai ter? A única coisa que se pode fazer é, depois de se saber que dinheiro há, tapar buracos no tempo. É isso que me parece que a maior parte dos teatros fazem.
A A&M está neste momento a preparar uma nova peça de teatro. Já apresentou o projecto a vários teatros que até agora não responderam. Não porque o projecto não seja interessante, mas porque, como me disseram, não sabem que dinheiro vai haver. Não me disseram nem que sim, nem que não. Apenas que temos de esperar.
E nós esperamos.