Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 01:20

Qui, 12/07/07

Termina aqui o primeiro capítulo – Origens – de The Negative Dialectics of Poodle Play do autor britânico Ben Watson. Um livro a propósito de Frank Zappa e a sua obra. Para os que têm acompanhado assiduamente será um momento de suspensão até retomarmos o debate – o Fora de Cena está quase a ir de férias – para os que nem sempre aqui vêm é este o momento para porem a escrita em dia e lerem os subcapítulos mais antigos.



ABSOLUTELY FREE

Freak Out! era, pelo menos, um disco de canções pop que soavam quase convencionais. À primeira audição, Absolutely Free soa como uma colagem livre de uns excêntricos estranhos que berram e brincam ao acaso (a tal “versão Sunset Boulevard dos Fugs”). Depois de estabeleceram a imagem freak, os Mothers podiam agora usá-la como cavalo de Tróia para ideias que não se encaixavam nos formatos pop. É esta recusa de Zappa, de oferecer música substantiva, utilizável – rock ‘n’ roll com batida, rock pesado, canções alegres –, que ofende os normais fãs do rock (que abrem uma excepção em Hot Rats). Contudo, ao contrário dos álbuns equivalentes da Bonzo Dog Band ou de Cheech and Chong, com várias audições é-nos progressivamente revelado um coração musical. Don Preston lembra que “a maioria das canções foi gravada em secções de 4 compassos, cada uma das secções com umas cinquenta ou sessenta regravações – a sério, algumas das canções menos cortadas tinham cerca de 100 regravações”.
A abertura, “Plastic People”, prossegue a linha de ataque de Freak Out! em “You’re Probably Wondering Why I’m Here”, ouvem-se os versos:
Botas de plástico e chapéu de plástico
E achas que sabes o que é bom?*
“Who are the Brain Police?” possuía um significado mais sinistro para o plástico.
O que é que vais fazer quando o rótulo descolar
E o plástico estiver todo derretido,
E o crómio mole demais?**
Visão paranóica e esquizofrénica que ecoa directamente Philip K. Dick – as pessoas como autómatos ou “simulacros”. No original de “Plastic People” ouve-se:
As gentes de plástico
Têm de ser erradicadas
Não têm tomates
Não têm raízes***
Ao usar o R&B negro, os Mothers – tal como os Stones – pegaram na sexualidade masculina para criticar o que consideravam ser códigos sociais falsos. Quando Zappa descreve uma das primeiras aparições dos Mothers na televisão (uma dança com adolescentes em Dallas) é muito entusiasta e menciona os enormes testículos de Carl Franzoni.
O ponto mais alto do espectáculo foi Carl Franzoni, o nosso ‘rapaz a-go-go.’ Estava de maillot e agitava-se freneticamente. O Carl tem testículos maiores que dois melões. Muito maiores. As caras dos adolescentes baptistas a testemunharem a sua grandiosidade está preservado como um tesouro na minha memória.
Contudo, quando chegou ao vinil em Absolutely Free, “Plastic People” deu necessariamente a tais noções de autenticidade um toque de ironia. Zappa continua a usar a tacanhez clássica dos acordes de “Louie Louie”, mas agora eles vêm envoltos num arranjo mais complexo. A música começa com um rufar de tarola que anuncia o presidente dos Estados Unidos que só consegue dizer “Colegas americanos”, antes de cantar os acordes de “Louie Louie” – “Dut, Dut, Dut...” Está de cama, doente, dizem-nos, a mulher vai levar-lhe canja de galinha. Como se o ferro-velho subcultural da classe baixa americana se tivesse tornado contagioso – até o presidente está doente.
Desde o aparecimento da SIDA que o imaginário das doenças prolifera por todo o lado – os vírus atacam os computadores, a pornografia infecta a população – mas isto não passam de últimas versões de um tema antigo. Os reformadores sanitários do século dezanove envolviam as propostas que faziam aos parlamentos em termos que ligavam doença a agitação social; Lenine e Trotsky falaram do “bacilo” da revolução. A moda – os cortes de cabelo, as roupas, as danças – atacou a população como uma doença. Em “Packard Goose” de Joe’s Garage a imprensa musical é acusada de,
Vender o punk como uma nova doença inglesa****
em Apostrophe (‘), Zappa olha de soslaio e fala num tom de voz íntimo:
Lá fora, à noite, sopram brisas
No sítio onde se guardam doenças imaginárias
Esta doença é para ti
É que, os cientistas chamam a esta doença bromodrosis
Mas para nós, gente normal que calça ténis
Ou, às vezes, botas com pitons
Esta esquisita inconvenienciazinha é conhecida por
CHULÉ!*****
Zappa mantém a ambivalência vacilante sobre os valores culturais sempre viva, uma postura contraditória que ofende os guardiães da cultura elevada na mesma medida que desaponta os defensores do pop. A ideologia da cultura pop é exaltada pela capacidade que possui de ameaçar a hierarquia e os valores culturais: mas Zappa tem uma sensibilidade quase situacionista para o momento em que a resistência viva se torna consumo e por isso não pode mesmo pactuar com o modo como a revista Rolling Stone, por exemplo, procura elevar o pop e a cultura a um cânone como a grande pintura ou a literatura. Tal como a publicidade inventa doenças “imaginárias” que os produtos farmacêuticos “curarão”, também o pop fomenta doenças “imaginárias”. Contudo, não há nenhum porto de abrigo que nos proteja deste processo pulsante e consumista: a doença infectou o presidente e nem nós estamos imunes. A canção eterniza a confrontação entre os freaks e a lei, um cerco policial a um local chamado Pandora’s Box.
Tira um dia e dá uma volta
Vê os nazis mandarem na tua cidade
Depois vai p'a casa e olha-te ao espelho
Pensas que estamos a cantar sobre outra pessoa §
A sátira de Zappa dá uma volta de 360°, não há modo de ficar fora da linha de fogo. A canção de “protesto” sobre as “gentes de plástico” só atinge o consumidor, claro, por ser prensada em plástico: a montagem rápida das diferentes vozes e espaços da gravação teria sido impossível numa apresentação ao vivo (embora, sintomaticamente, Zappa tente isso mesmo em “Brown Shoes Don’t Make It” de Tinseltown Rebellion, em 1981). Plástico, como a “gelatina rápida e bulbosa” de Trout Mask Replica e Uncle Meat, e o “UDT – Undifferentiated Tissue” de Grand Wazoo e a “porcaria” de Overnite Sensation –, imagens do modo como as trocas de bens de consumo tornam tudo igual a tudo. Este processo foi descrito por Marx pela primeira vez nas primeiras páginas de d'O Capital (onde mostra o acto “mágico” através do qual o dinheiro encontra uma equivalência entre um casaco e hectares de linho), nele está o símbolo ideal da infinita natureza variável do plástico.
Lá em cima uma lua de neón
Há anos que procuro mas nunca vi o amor
Tenho a certeza que o amor nunca será
Um produto de plástico §§
“Plastic People” junta os palpitantes acordes de “Louie Louie” (uma invectiva contra a namorada do cantor que usa cosméticos) à hipocrisia presidencial (“Sei que às vezes é difícil defender uma política impopular”) e ao medo de se ser vigiado (“O gajo da CIA que corre Laurel Canyon”). Frases murmuradas, deliberadamente lentas, que cruzam a canção do mesmo modo que as secções de tempo “calmo” alternam os tempos “saturados” na música de Pierre Boulez. É uma descoberta de Zappa: os vectores de animação da música pop são usados de modo similar aos “blocos de som” de Varèse. Os choques alucinatórios que revestem os discos de Zappa – momentos que suspendem o momentum musical –, desafiam expectativas e fazem os ouvintes reflectir sobre a música e o modo como é usada para manipulação. A canção desintegra-se numa conversa que antecipa o próximo tema: “um abrunho não é um legume/o repolho é que é um legume”.
“The Duke of Prunes” é uma melodia reciclada da banda sonora de Run Home Slow, recheada de letras surrealistas que substituem as rimas “Junho/Lua” do pop com o absurdo de “Junho/Abrunho”. A declaração de amor imortal é parodiada com àpartes.
O amor que te tenho é para sempre (bem, talvez) §§§
Zappa diz, “esta é a parte mais excitante – como as Supremes, vejam bem” e os Mothers parodiam “Baby Love” cantando “cheesy love”.
Zappa apresenta “Call Any Vegetable”. “Esta canção é sobre legumes, os legumes mantêm-te regular, fazem-te mesmo bem...”, escatologia funciona contra o uso metafórico do termo “vegetable” (a mensagem é de que os freaks deviam tentar comunicar mais com os seus mais próximos). Na transcrição da edição em CD, a mudança de Flo & Eddie gravada em Just Another Band From L.A. é aceite (substituem a palavra “mão” por “charro”, na frase, “ali de pé, luzidio e orgulhoso ao teu lado/de mão dada contigo...”): Zappa terá provavelmente tocado a canção mais vezes com eles do que com os Mothers originais.
O título “Invocation and Ritual Dance of the Young Pumpkin”, tal como a primeira parte de “Monster Magnet” de Freak Out! faz lembrar A Sagração da Primavera, cujo tema é tocado em “The Duke of Prunes” num instrumento de sopro, para depois ser retomado por um inane “lá-lá-lá” vocal. A música levanta voo e entra num tempestuoso dueto de guitarra e saxofone soprano por cima de um único acorde, finalizando com o prazer de um orgasmo feminino.
Oh não! Ouve-los a responder?
A abóbora respira ofegantemente... h-h-h-h
h-h-h-H-H-H-H-H-H-H – H – HHHHHHHHHHHH!
(Mas que abóbora!) §§§§
A mulher que espreita por trás de Zappa no interior da capa do disco é intitulada “A MINHA ABÓBORA”. Ele disse no questionário da United Mutations que “Gail Abóbora” era o seu “delírio favorito”. O acto sexual, onde a espécie humana encontra, a um qualquer nível, uma animalidade não mediatizada, é o final da charada do plástico. É óbvio que qualquer representação do sexo é feita através do uso de códigos artificiais e o modo como o sexo faz crer que estes códigos são artificiais e impraticáveis é que explica o interesse de Zappa por ele. Canções como “Baby Love” reciclam clichés românticos – a banda sonora de transição da faculdade para o casamento, transição que Zappa está prestes a quebrar.
“Brown Shoes Don’t Make It”, o ilustre ataque de Zappa à repressão, é o clímax do lado dois do disco – uma sequência de canções que funcionam como suite. “America Drinks” é a desconstrução de uma balada. Ao reduzir o ritmo, mas mantendo o baterista no prato um swing regular “dez-por-dez”, os Mothers podem entrecruzar todo o tipo de comentários cáusticos; “Status Back Baby” satiriza a conformista raça-de-ratos da faculdade, contrastando a banalidade das chefes de claque (representadas por um apito) com uma secção de guitarra pesada; “Uncle Bernie’s Farm” ataca os brinquedos de guerra promovidos no Natal e compara a autoridade e os pais aos simulacros de robôs: a visão paranóica do mundo como colagem de objectos artificiais
Tens um pequeno “CONGRESSO” de plástico
Uma “NAÇÃO” que podes comprar

Uma boneca que se parece com o papá
(É engraçadinho...
Carregas no botão e pedes dinheiro:
Lá está o dólar na mão!) §§§§§
“Son of Suzy Creamcheese” é uma actualização da saga Creamcheese. Por ter frequentado Cantor, o restaurante onde Vito assentava corte, descobre agora as drogas e a política.
Deu cabo da cabeça com drogas
Pois, pois, pois
Ficou-me com a casa e deixou-me

O Vito disse que foi para Berkeley
Pois, pois, pois
Marchas de protesto em esferovite +
A certeza de que o protesto político explícito é outra faceta do espectáculo (sendo o esferovite um tipo de plástico) sustenta o repúdio de Zappa, durante toda a carreira, da acção política colectiva. “Junta-te à marcha e come a minha goma” disse em 1973, antes da marcha de Greggery Peccary. Para Zappa, a política é sempre um questão individual, apesar da visão de corrupção das instituições americanas e a consciência de que os meios de comunicação servem o governo e a sua publicidade – por exemplo, da Guerra do Golfo – e é esta a razão para as acções políticas de Zappa – a candidatura à presidência, os pedidos de recenseamento – parecerem tão inadequadas. Tal como Adorno (cujas ideias inspiradoras e contrárias foram traídas pelas posições políticas em acção, em 1968), a arte de Zappa necessita de um comentário que revele o inconsciente político que luta contra declarações explícitas. O paradoxo é que o seu materialismo desconstrói, continuamente, nos impulsos, o “indivíduo”, revelando-os como reproduções sociais não livres, destruindo a ideia do indivíduo autónomo, onde as suas políticas pequeno-burguesas são fundadas.
É o caso de “Brown Shoes Don’t Make It” que traça um paralelo reichiano de repressão e governo autoritário.
Um mundo de ânsias secretas
Que pervertem os homens que fazem leis
Desejos escondidos
Numa gaveta, numa secretária
Junto ao seu cadeirão ++
Dentro da gaveta está pornografia (em “Dirty Love” a letra diz: “Dá-me o teu amor obsceno/Como daquelas revistazinhas pegajosas/Da última gaveta do teu pai”). A melodia das frases tem o mesmo efeito das de Kurt Weill, suspendem as denúncias chocantes de Brecht, antes da contemplação moral do ouvinte. Para mais, a natureza arbitrária da escrita atonal sublinha a natureza arbitrária das palavras que parece alimentar a resistência psíquica do ouvinte: a lascívia como força moldante, imagens modelando-se a si próprias como bolas de arremesso negativas de culpa e desejo.
Nas profundezas da mente do autarca vemos
O sonho com uma rapariga de treze anos
Sem roupas dentro da cama
E, toda a noite, faz cócegas às fantasias +++
Zappa propõe políticas culturais: a explosão da liberdade sexual derrubará os poderes instituídos. Quando se apercebeu que não ia funcionar, a ênfase sexual tornou-se ponto de vista satírico, teste às liberdades do público e da sociedade. As obscenidades só podem ser inofensivas num mundo livre de corrupção: a enunciação de temas excluídos dos discursos politicamente correctos torna-se denúncia do poder e hipocrisia.
O final de “America Drinks and Goes Home” é repetição de “America Drinks” e recria o ambiente de ócio que Zappa odiava tanto quando tocava nos Joe Perrino and the Mellotones em 1960. Voz suave e aveludada, um grupo de jazz, uma bateria tocada com escovas que lutam para se ouvir por cima do caos boémio de caixas registadoras (as quais, claro, são meticulosamente orquestradas e regravadas). A melodia evoca Tin Pan Alley, a nível artístico, a melodia circular indutiva de um suspenso sentimento claustrofóbico de desenvolvimento.
Ensaiámos os barulhos da gente. Os próprios diálogos em fundo são divertidos, dizem coisas do tipo, “Tenho um Mustang novo”, e as raparigas dizem “Sally, vens à casa de banho?”, esse tipo de coisas, sabes... o burburinho da gente foi calculado cuidadosamente, como se fosse coreografado. Depois, por cima, de um modo que nem se consegue ouvir, há uma luta. As pessoas separadas em duas divisões... o Bunk a tentar engatar miúdas. Tipo, “O que é que uma miúda como tu faz num sítio destes?” ... entretanto, as garinas dizem ao gajo para se ir foder porque foi muito atiradiço, tipo: “Que espécie de miúdas pensas que somos?” ... isto está tudo a acontecer, mas não se ouve. Tem de se ouvir as dez pistas para se poder percorrer a sala e perceber de onde vêm. Foram montadas tão cautelosamente que me parte o coração saber que as pessoas não analizam e não tentam ver todos os níveis que usámos.
O barulho da gente torna-se tumulto indistinto por trás do grupo de jazz. As mesmas frases aparecem em Fillmore East e “Dancing Fool”, ícones da histeria sexual de uma América completamente fodida. Apesar de atingir o tipo de música e o lugar que os verdadeiros freaks nunca frequentariam, o conteúdo satírico muda completamente de direcção quando entra em confronto com o ouvinte, como em “You’re Probably Wondering Why I’m Here”. Quando Ray Collins diz “boa noite” é como se Zappa se estivesse a perguntar se o próprio disco se tornará outra mera tela de fundo geracional de uma noite de desesperada não-comunicação.
A MGM/Verve provocou atrasos no lançamento do disco por causa do slogan da colagem de Zappa onde se lia, “Guerra Significa Trabalho Para Todos”, acabando por o imprimir em sombreado, ficando finalmente ilegível no lançamento em CD (as palavras estão por cima da bandeira dos E.U., por baixo da explosão atómica, na contra-capa). Também se recusaram a imprimir as letras. Zappa respondeu, possibilitando o envio pelo correio, juntamente com um “mapa freak” – um guia do circuito underground de L.A., originalmente publicado no Los Angeles Free Press. Uma versão pop da psicogeografia situacionista.
O visitante novo do paraíso dos freaks deve saber que os “locais que estão a dar” que mudam a toda a brida, podem "deixar de dar" instantaneamente (especialmente sob pressão da polícia) e que os lugares que foram bons se tornam parques de estacionamento ou armazéns ou qualquer outra coisa pior que possas imaginar.
Em The Broken Bubble, romance póstumo de Philip K. Dick, um adulto horroriza-se ao ouvir como um jovem casal foi molestado pela polícia:
É que, pensou que dizia “eles”. Pensava como o Art e a Rachael pensavam: em termos de um obstinado “eles”. Mas para ele, “eles” não eram adultos; seriam – o quê? Ponderou, sendo conduzido, ele próprio, a este rancor. Talvez, Looney Luke. Ou Ted Haynes. Ou, neste caso, qualquer pessoa e toda a gente.
Mas ninguém o afastava dos restaurantes. Ninguém o tinha mandado para à noite e atirado contra uma parede. Portanto estava na sua mente: não era verdade. Para os miúdos era suficientemente real. As pessoas boas falam de direitos civis, de protecção de grupos minoritários. E depois instauram recolheres obrigatórios.
Dificilmente haverá uma canção de Louis Jordan ou Bessie Smith que não acabe em rusga policial; os medos da “deliquência juvenil”, pelo tratamento que a minoria negra sofreu por parte da juventude branca. As palavras de Dick recordam-nos a percepção crescente de que o consumo liberal poderá não ser a mesma coisa para algumas partes da população. A consciência política de Zappa informada pela detenção em Lancaster e a prisão de San Bernardino cresceu quando viu pessoas serem detidas por causa do comprimento do cabelo. No mapa freak há uma fotografia que mostra alguém a ser detido por três polícias. A legenda diz: “eu só queria um pastrami” (o chui com um balão: “Caluda, parvalhão”). Podia ser um gráfico situacionista.
O restaurante Cantor em Fairfax é o poço por excelência e Quartel General social, cenário das mais espalhafatosas práticas Gestapo que os nativos pacíficos se lembram, é um bom sítio para se ir assim que se chega à cidade. Se um autocarro preto (ou dois) te parar à frente e vires os teus colegas, camaradas e companheiros serem enfiados lá dentro (como se fossem para Auschwitz) faz qualquer coisa normal...
O próximo disco de Zappa centra-se nas imagens de repressão, mas a consciência dos radicalismos a que o estado da burguesia se rebaixa em tempos de crise, corre por baixo de todo o trabalho de Zappa.

* Plastic boots and plastic hat / And you think you are where it's at.
** What will you do when the label comes off / And the plastic's all melted / And the chrome is too soft?
*** Plastic people / You gotta go / They've got no balls / They've got no roots
**** Selling punk like some kind of new English disease
***** Out thru the night and the whisperin' breezes / To the place where they keep the imaginary diseases / This has to be the disease for you / Now cientists call this disease bromodrosis / But us regular folks who wear tennis shoes / Or the ocasional python boot / Know this exquisite little inconvenience as... / STINK-FOOT!
§ Take a day and walk around / Watch the Nazis run your town / Then go home and check yourself / You think we're singing 'bout someone else
§§ Me see a neon moon above / I searched for years I found no love / I'm sure that love will never be / A product of plasticity
§§§ The love I have for you will never end (well, maybe)
§§§§ Oh no! Can you see them responding? the / pumpkin is breathing hard... h-h-h-h / h-h-h-H-H-H-H-H-H-H-H - H - HHHHHHHHHHHHHHHHHH / (what a pumpkin!)
§§§§§ There's a little plastic 'CONGRESS' / There's a 'NATION' you can buy / There's a doll that looks like daddy / (He's a funny little man... / Push a button and ask for money. / There's a dollar in his hand!)
+ Blew your mind with too much kool-aid / Yeah, yeah, yeah / Took my stash and left me lonely / Vito said she plit for Berkeley / Yeah, yeah, yeah / Protest marching styrofoam
++ A world of secret hungers, / Perverting the man who make your laws / Every desire is hidden away / In a drawer, in a desk / By a naugahyde chair
+++ We see in the back of the city hall mind / The dream of a girl about thirteen / Off with her clothes and into a bed / Where she tickles his fancy all night long


edson Coke @ 16:23

Qui, 12/07/07

 

Absolutely Free é um marco importante para a imagem de Zappa na Europa como artista intelectual sério. O disco oferece o melhor de seu humor ácido e crítico direcionados a América e sua mentalidade industrial onde rege a quantidade sobre a qualidade, criticando também o americano comum por aceitar e encorajar esta postura. Sendo assim, na Europa, tornam-se clássicos do underground canções como "Plastic People", "Call Any Vegetable", "Brown Shoes Don't Make It" e "America Drinks And Goes Home".

edson coke @ 16:26

Qui, 12/07/07

 

Lembrei de uma curiosidade também, que ocorreu 1 ano após o lançamento do disco. Aliás, o ano de 1968 foi em si um ano marcado pela política e lutas estudantis ao redor do mundo. Na Tchecoslováquia, jovens usaram a canção "Plastic People" como hino de protesto durante as manifestações em Praga. Atitudes similares também aconteceram na Polônia.