Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 16:51

Seg, 09/07/07

Não sei se o Joe Berardo é um tipo altruísta, se quer valorizar a sua colecção de arte ao expô-la no CCB, se o Mega Ferreira tinha razão para se demitir ou se o Benfica está à venda. O que sei é que pela primeira vez há a possibilidade de Portugal ter um Museu de Arte Moderna e Contemporânea com obras de arte de artistas importantes. E isso, por si só, já é bom. Neste caso, não é todos os dias que podemos ver sem pagar, Francis Bacon, Max Ernst, Picasso, Magritte e outros que tais.
Aproveitei um domingo sem sol, aquele em que as bichas eram intermináveis, e fui ao CCB como milhares de pessoas. Fiquei contente, valeu a pena, espero lá ir muitas mais vezes e deleitar-me com um quadro que não conhecia do Max Ernst e outro do Magritte.
Enquanto os cínicos discutem se valerá a pena o negócio entre o Estado e o Comendador o povo tem finalmente a oportunidade de ver algumas das mais importantes obras de arte do século XX e XXI.
Quando perguntam se o Estado devia comprar a colecção eu digo, inequivocamente, sim. E quanto mais depressa melhor, porque será mais barato. Nada há de mais importante para um país que um bom Museu. Os milhões de pessoas que acorrem anualmente a Paris e a Londres, a Roma e a Nova Iorque, a Madrid e a Atenas, a Berlim e a Florença, não vão lá pelo boletim metereológico nem pelas praias. Vão lá pela cultura, os museus e os teatros, os monumentos e a vida particular dessas metrópoles. Para além do benefício directo desses museus na cultura e evolução de um povo.
Espero que os governos que se seguirem não deixem de regar as sementes que estão a ser lançadas agora...