Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 14:39

Qui, 28/06/07

Ontem na "Quadratura do Círculo" ouvi o Jorge Coelho dizer que numa coisa os comentadores (ele próprio, Pacheco Pereira e Lobo Xavier) estavam de acordo: que Portugal só pode sair do buraco financeiro e atraso cultural através da qualificação das pessoas. Tudo isto a propósito do sucesso do programa Novas Oportunidades.
Embora reconheça méritos ao dito Programa fiquei estupefacto quando ouvi o Lobo Xavier dizer em jeito meio irónico que talvez devêssemos desviar algumas verbas que vão para as infraestruturas e aplicá-las na requalificação das pessoas. En passant Jorge Coelho disse "porque não?"... O quê? Quer dizer que isto não são infraestruturas?
Tudo isto me deixa optimista, por um lado, mas por outro deixa-me apreensivo. Eu explico.
Fico optimista porque finalmente, vinte anos depois da entrada na CEE estamos a tentar inverter a marcha da ignorância e parolice a que fomos votados pelos governos PSD de Cavaco. O mesmo que agora na presidência diz que não podemos desistir da educação. Que desplante! Se não tivéssemos perdido estes vinte anos talvez não estivéssemos agora na cauda da Europa, como sempre. O Jorge Coelho disse ontem que segundo estatísticas, cada ano de escolaridade a mais nas pessoas corresponde a um aumento de 0,5/0,6% do PIB de Portugal. Está explicado o desenvolvimento da Espanha e da Irlanda e na mesma penada o atraso do nosso país. Responsável máximo: Cavaco Silva e a sua trupe de ministros e secretários de estado ignorantes - Durão Barroso, Marques Mendes, Santana Lopes e outros que tais...
Mas estou céptico porque esta pode ser apenas uma fase passageira. Ou seja, que as Novas Oportunidades sejam apenas "novas" e não constituam um novo paradigma de educação e conhecimento. Eu tenho medo que, como acontece com todos os governos (PS ou PSD), passada a fase do sucesso imediato deste tipo de programas, não se tenha criado uma verdadeira cultura de inovação e as pessoas tenham, por exemplo, de sair do país para desenvolver os seus trabalhos apenas porque temos de apostar em campos de golfe, aldeamentos turísticos e serviços.
Contudo, há vinte anos que sou céptico porque nunca tinha visto políticos portugueses com preocupações culturais e educativas tão assertivas. E isto, em si mesmo, já é bom. É um caminho que há muito tempo podia ter sido trilhado, claro, será melhor não embandeirar em arco, mas pelo menos é melhor que nada.