Há acasos felizes.
Hoje, quando me preparava para perpetuar uma velha amizade, já corroída pelo tempo e que jaz à beira-mar, abandonada como um destroço de navio, encontrei um velho amigo ainda mais velho do que o outro. Não o via há centenas de dias de certeza, ficámos a indagar quantas...
Falámos de inércia e medos... de Portugal, e referi-lhe o fora-de-cena.blog, ele falou-me do afebredotartaruga.blogspot.com. Entre outras coisas deixou-me um livro de poesia para ler...
Dorme como um anjo nos meus braços.
Incrédulo contemplo-a
a polpa do fruto apetecido.
Assola-me a dúvida, depois o medo:
serei homem para aconchegá-lo
sempre que o meu colo procurar?
A resposta, no dia em que
o anjo me carregue nos braços. O meu círculo
vai fechar-se, pacífico.
O anjo, esse vive em linha recta.
Ao falar com ele hoje, senti, esta sensação, esta digna presença de se ser Outro. E de amar o Outro por aquilo que é. Mesmo que leve a vida em linha recta. E que essa é a única certeza que temos de que somos Outro.
Ganhei um amigo. Meu caro, a nossa Sra. Professora Dona Filomena dos Açores, mais precisamente da cidade da Horta, teria muito prazer em ler estes versos... ;-)
Obrigado pelo livro, 'ntónio josé.
as nossas pegadas afinal sempre estiverem juntas. ontem apenas tomámos consciência disso. obrigado.
grande abraço.
ab