EUROPAA meados de Agosto de 1967 Zappa visitou Londres para promover a digressão dos Mothers à Europa. Apesar do posterior desprezo pela Inglaterra e a imprensa rock inglesa, ele sempre reconheceu o papel chave de Londres na criação de publicidade para os meios de comunicação da Europa. Zappa apareceu na capa da
Melody Maker de vestido e soutien e o cabelo apanhado em pequenas tranças. Prosseguindo a impressão de desorganização anárquica insinuada pelas declarações de
Freak Out! de que as apresentações de Zappa com os Mothers eram raras, anunciou: 'Iremos a Londres uma semana antes do concerto para fazer promoção e outras coisas. Posso levar seis, oito, ou quinze Mothers – depende apenas da quantidade de gajos que quiserem vir a Inglaterra.'

O gesto provocou o envio de uma grande quantidade de cartas de leitores indignados nas publicações de 9 de Setembro. Zappa comprou um chapéu de coco, filmou os Mothers à porta do Palácio de Buckingham (no interior da capa de
Hot Rats vemos uma fotografia), foi ao Marquee ver o
Louco Mundo de Arthur Brown e conhecer Pete Townshend dos Who. Continuou no
Speakeasy, onde falou com Noel Redding, Jimmy Hendrix e Jeff Beck. Na coluna do
International Times, John Peel, que nessa altura passava faixas de
Absolutely Free no programa da Radio London,
The Perfumed Garden, noticiou a passagem de filmagens do Palácio de Buckingham no
Speakeasy (o sítio usado pelos Sex Pistols quando assinaram pela A&M). A banda sonora era uma mistura grosseira de
We're Only in It for the Money.
A distância de Zappa em relação à contra-cultura londrina foi ilustrada pelo incidente no Roundhouse relatado por Pamela Zarubica.
Quando íamos a sair, um tipo veio a correr e dirigiu-se ao Frank, ao que parecia, para lhe apertar a mão. Em vez disso, deu-lhe um pequeno objecto, eu reconheci imediatamente ser haxixe. Eu teria ficado com ele e saído porta fora, mas havia pessoas à volta do Frank a ver o que ele ia fazer. Ele olhou simplesmente para o haxixe e perguntou, 'O que é?'... os freaks ficaram chocados, tentando perceber como o maior freak de todos não só não queria o haxixe como não sabia o que era.
A perícia de Zappa para ser senhor numa cultura de drogas da qual não quer fazer parte tem sido um dos paradoxos no reino dos
hippies. Em 23 de Setembro, os Mothers of Invention tocaram no Royal Albert Hall. A banda era composta por Ray Collins (voz), Bunk Gardner (saxofone), Don Preston (teclas), Roy Estrada (baixo), Jimmy Carl Black (bateria), Billy Mundi (bateria) e Ian Underwood (saxofone e teclas), apoiados por nove membros da London Philarmonic Orchestra. Don Preston tocou 'Louie Louie' no 'majestoso órgão de tubos do Albert Hall' (como é descrito em
Uncle Meat) – simbólico de tudo o que Zappa queria dizer sobre os valores tradicionais europeus. Os músicos da orquestra tocavam partituras e insultavam-se à deixa. O
Sunday Mirror noticiou: 'Foi provavelmente o acontecimento mais estranho, mais
hippy, mais psicadélico – francamente fora – que Londres assistiu desde o início do
swing.'
Pamela Zarubica viajou para representar o papel de Suzy Creamcheese, foi fotografada de braço dado com Frank Zappa juntamente com dois ramos de flores. A digressão continuou em Amesterdão e Copenhaga. Zappa e Tom Wilson voaram a Itália para investigarem a possibilidade de fazerem o filme
Barbarella de Roger Vadim e Jane Fonda, mas da colaboração não saiu nada. A caminho de Gotemburgo Zappa adoeceu com uma intoxicação alimentar mas conseguiu evitar o cancelamento dos espectáculos (saiu do palco durante o concerto televisionado de Estocolmo). De volta a Copenhaga, precisaram de pedir equipamento emprestado a John Mayall para substituir algum que se perdera. Depois para Londres e a seguir de volta a Nova Iorque.