Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.
Férias curtas mas intensas. Mar e montanha. Cachalotes e vacas. Um dos sítios mais belos que conheço. Naveguei e voei. E andei à boleia! Caminhei e nadei. Deixei coisas para ver e conhecer mais tarde. Tempo para pensar e não pensar. Tempo para parar e tempo para andar avante. Comecei na ilha Terceira, em Vila Praia da Vitória. Uma pacata vilazita a leste. Com um porto suficientemente grande para albergar os navios que cruzam o oceano para a Ilha do Pico, S. Jorge e Horta. As festas nocturnas da vila consistem num grande festival gastronómico onde se pode comer e beber bem, ver concertos à noite (vi um bocado dos Da Weasel, na Horta no dia 8), jogar à bola na areia preta da praia, comer gelados e caminhar pelo paredão. Ou seja, nada de diferente de qualquer vila pacata portuguesa do continente. Só que aqui estamos a falar dos açorianos, que são um povo simpático. (A partir de agora quem me disser que foi para o Algarve em vez de ir para os Açores passar férias, leva um sermão de meia-noite.) Segui de barco até à Ilha do Pico. Majestosa como pensei que seria. As nuvens à volta. Imaginei-a coberta de neve. Cada vez mais exígua (de ano para ano), segundo me disseram. Desembarquei em S. Roque, destino de uma das histórias mais agradáveis da viagem... mas isso fica para mais tarde. Almoçámos em S. Roque, debaixo de uma torrente de calor, caminhámos uns quilómetros para o restaurante Águas Cristalinas indicado pela própria cozinheira que estava de folga e a quem por coincidência perguntámos onde havia um sítio para comer, que apareceu ao fundo de um rua ladeada de vinhas (o vinho do Pico é famoso, dizem os que apreciam) e muros compostos por pedras vulcânicas. Foi como um oásis. Esperámos pela camioneta, uma das duas diárias para Madalena. Que é um sítio lindíssimo. Águas mesmo cristalinas. Com o Faial ao fundo. A esta hora o sol batia de chapa na água, via-se o fundo de rochas vulcânicas amaciadas nitidamente, como uma piscina. No Faial, os miúdos mergulham do cais para a água, onde há um campo de pólo aquático, um monte com um canavial, atrás da rua principal, e uma sensação de descontracção difícil de descrever. A seguir programámos uma viagem para ver cachalotes no dia seguinte. Cachalotes! A residencial era das mais baratas, o quarto estava cheio de moquitos, mas estávamos na Horta e íamos ver golfinhos e baleias. No dia seguinte, excitação total, primeiro a espera, "ainda não foram avistadas baleias", e depois a boa notícia, cachalotes à vista, ala para o centro do triângulo. (Os cachalotes não vão para águas menos profundas que 300m. Porque será? Dificuldades de locomoção?) Barco a toda a velocidade, durante 30 ou 45m, até ficarmos mais ou menos à mesma distância de S. Jorge, Faial e Pico. Dizem que os cachalotes moram lá todo o ano. Eu também não me importava. Mas isso é outro assunto.
Mesmo antes de ir de férias descobri a última pérola zappiana: a banda de Dweezil Zappa, filho de Frank Zappa, a tocar as músicas do pai, com uma banda de músicos novos onde pontifica Napoleon Murphy Brock, cantor da banda mais celebrada de Frank Zappa (73-75). Deixo-vos uns youtubes de férias: "Camarillo Brillo", numa excelente versão, e com muito prazer, uma das canções mais lindas de Frank Zappa - "Call Any Vegetable" -, a orquestração e o desempenho dos músicos são brilhantes, a composição de Zappa: mistura de teatro musicado com pequenos bocados de rock pesado, ritmos assimétricos, é electrizante (o som do vídeo é muito bom, dá para pôr alto! (nos phones)) God Bless America!. E ainda "Tell me You Love Me".
"Questions, Questions, Questions, flooding into the mind of the concerned young person today. Ah, but it's a great time to be alive, ladies and gentlemen. And that's the theme of our program for tonight. It's so FUCKING GREAT to be alive! Is what the theme of our show is tonight, boys and girls. And I wanna tell ya, if there is anybody here who doesn't believe that it is FUCKING GREAT to be alive, I wish they would go now, because this show will bring them down so much..."
Frequento pouco, é verdade. Mas consegui arranjar o primeiro disco do DVD, que é absolutamente magnífico. Que excelente tributo. E com o Napoleon tudo fica melhor. Era bom que cá viessem, claro.
se fores ver videos do zappa ao youtube, o ZPZ salta à vista. grande empenho do dweezil, aprender marimba na guitarra nao é facil. e fica a nota, em vez de algarve, açores :) bonitas fotos
quem me dera que cá viessem