Quando eras pequeno disse-te
lava as mãos antes de comer
Devia antes dizer-te afia as garras
E nutre os apetites do ódio
E cresce e floresce
Na cidade dos lobos
Onde a piedade é fardo dos pobres
E a felicidade riqueza
E quando te mandei à escola
Devia ter contratado um assassino
Para te ensinar os truques do negócio
E um carniceiro para te ensinar as regras do jogo
E te dizer como se asfixia a voz da vergonha humana
E depois se cresce e floresce
Na cidade dos lobos
Onde a piedade é o fardo dos pobres
E a felicidade riqueza
E quando saíste de casa
Devia ter-te oferecido um par
De traidores para teus guias
E uma faca de espetar nas costas
Do camarada do lado
Para ao topo chegares
Na cidade dos lobos
Onde a piedade é obrigação
E a felicidade riqueza
E quando te embalei no berço
Devia antes ter-te martelado na cabeça
Sido implacável, implacável como os pregos
Que martelarão no caixão quando morreres
Mas disse, sê simpático filho
Lava as mãos e a cara
Mandei-te para a cova
Onde os lobos roem ossos humanos
Ouço o choro dos humanos
Nos grunhidos do mercado
No rugido do tráfego ouço
Choros e desespero e medo
E sou tão ignorante que tento
Remendar os buracos da tua sombra
Amainar as fúrias do mar
E lavar as feridas do céu
Edward Bond: Jackets
tradução: minha