Em 28 de Junho de 1968, a Life Magazine publicou um artigo de Zappa sobre a história do rock, intitulado 'O Oráculo Previu Tudo'. Nele, Zappa aparecia mais descontraído e benigno sobre a cultura rock do que é normal: ao lhe ser oferecida a hipótese de expor o seu próprio ponto de vista, havia menos necessidade de usar tácticas de choque para desvirtuar as palavras chave que servem a indústria. Numa das partes há um questionário em duas secções que faz perguntas sobre vários aspectos do folclore subcultural dos anos 50 e a seguir sobre os anos 60: tal como Ruben satirizava a contracultura: comparando movimentos e balanços com a desdenhosa herança pré-hippie e também registando o que era o genuíno progresso para Zappa.A sociedade era sexualmente muito reprimida, dançar era uma tentativa desesperada de obter contacto com o sexo oposto. O amor livre, as groupies, as Plaster-Casters of Chicago e outras variantes, as GTO's de Laurel Canyon não existiam.Zappa explica que quando era adolescente só gostava de R&B negro, mas admite que mesmo assim, o filme Rock Around the Clock tinha sido uma verdadeira revelação para ele. Não interessava que o Bill Haley fosse um rechonchudo expoente de meia-idade de carapinha absurda do swing da Costa Oeste.
Em quartos sujos de adolescentes, por toda a América, os miúdos precipitaram-se para os velhos rádios e gira-discos baratos para ouvir a 'música suja' do seu estilo de vida. ('Se queres ouvir essa porcaria vai para o teu quarto... e põe o volume baixo'.) Mas no cinema, a ver Blackboard Jungle, não podiam pedir para pôres o volume baixo. Não interessava que o Bill Haley fosse branco ou sincero... estava a tocar o Hino Nacional da Juventude e tocava-o tão ALTO que eu saltava. Blackboard Jungle, não considerando sequer o roteiro do filme no qual os velhos ganham no fim, representou uma estranha espécie de 'apoio' da causa adolescente: 'Fizeram um filme sobre nós, logo, existimos...'Esta atenção ao contexto é modelo da análise material. Muitas vezes o debate cultural (será que Bill Haley presta?) fica atolado em dissertações irreconciliáveis que pretendem discutir sobre um trabalho artístico ideal, ignorando a situação onde é reconhecido. No mundo clássico, Pierre Boulez presta atenção semelhante aos factos materiais do som: a configuração das salas de concerto, as combinações possíveis de instrumentos. Zappa prossegue então as especulações de Lumpy Gravy sobre os possíveis efeitos da música num universo feito de vibrações. Entra no domínio da fantasia, mas nunca deixa a base material. As citações de Hal Zeiger, um dos primeiros promotores dos anos 50, dão-nos uma visão organizadora do rock 'n' roll, a milhas da mitologia que apoia a cultura rock dos E.U.da A.
O rock branco, excessivamente produzido e brilhante, quase se suicidou. (Lembram-se de Fats Domino com 'cordas'?) A música afundava. Seria o fim do rock? Estávamos condenados a uma nova era de melodias folclóricas, suavizadas com vaselina? Então, na hora H, a Beatlemania. Nova esperança.Em Twilight of the Gods, Wilfrid Mellers fez um corajoso mas não convincente esforço para explicar a arte dos Beatles em termos formais.
Zappa explica-a em termos de sexo – Elvis era demasiado gorduroso e sombrio, os Beatles eram abraçáveis e giros – dando uma dimensão sociológica que, como Susan McClary demonstrou, pode também proporcionar abordagens à música clássica que são negadas por análises puramente 'formais'. Zappa é optimista em relação ao modo como o público espalha a sua imagem musical e está agradecido às groupies. A peça finaliza com uma descrição incaracterística da experiência rock – o ficar bêbado a ouvir uma versão louca de 'Green Onions', tocada por um grupo local de rock 'n' roll (Ruben & the Jets) –, parece a experiência de uma outra geração com o punk rock ou o acid house. Acaba com uma pergunta: 'Será que uma força que possui este poder pode ser ignorada por uma sociedade que necessita de todos os amigos que possa arranjar?'