Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 15:18

Sab, 26/05/07

LICEU DE ANTELOPE VALLEY

Zappa impõe uma atitude prática aos seus materiais artísticos que estabelece ligações com o movimento Dada e a metodologia moderna. Quando frequentava o liceu de Antelope Valley, matriculou-se numa aula de arte como maneira de lidar com sua atitude “difícil”. Pegou num filme com dez minutos, arrancou a emulsão e pintou-o a seguir. Depois projectou os resultados enquanto músicos tocavam as suas composições. Esta rude atitude experimental caracteriza todos os momentos da sua obra, uma primeira versão do desejo de transgredir tabus de comportamento social. Mais tarde instruiu os membros da banda e desenvolveu as suas fraquezas com a mesma mistura de cinismo e atenção arrebatada que deu a este pequeno filme.
Embora seja lembrado pelo vice-director Ernest Tosi como “percursor dos beatnicks, por causa das patilhas e do bigode (Tosi foi nomeado a “confrontação favorita com a autoridade” na resposta de Zappa ao questionário da United Mutations), a atitude descomprometida de Zappa valeu-lhe o respeito dos professores. Para surpresa de Tosi, depois de ter ficado detido na escola e ter conseguido boleia, Zappa convidou Tosi a entrar em sua casa. O director da banda Mr. Ballard e Tosi ouviram Freak Out! mas só prestaram atenção à “bela música” de Frank e não às palavras rudes (que concluíram só lá estarem para “vender o disco”). O professor de inglês pediu-lhe que compusesse a banda sonora de um filme. O superintendente da escola, Dr. Knapp, aparece na capa de We’re Only in It for the Money. O terrorismo cultural de Freak Out! era metafórico, não era literal.