Eu sou fumador moderado há vinte anos pelo menos e estou de acordo com o
novo ante-projecto de lei que o governo disponibilizou para consulta pública. De acordo com o que li o projecto lei visa mais proteger as pessoas que não fumam, dando assim início a uma importante prevenção de saúde pública, do que identificar os prevaricadores.

Eu sei que há muitas maneiras de combater esta lei: "o tabaco não faz só mal"; "as pessoas fumam tubo de escape todos os dias e não se importam...", e outros argumentos igualmente válidos e que até podem denotar alguma injustiça para os fumadores no projecto lei. Mas o que conta realmente é podermos estar num restaurante a comer sem termos de perder o apetite por causa de um cachimbo ou de uma cigarrilha.
Também me parece um ataque ferocíssimo às tabaqueiras que se debatem com quedas de lucro gigantescas. Para quando o ataque também às empresas de venda de álcool? Para quando o ataque à venda de medicamentos com contra-indicações graves? Para quando o ataque e consequente prevenção de todos os modos de vida nefastos? Para quando uma análise profunda daquilo que é a nossa vida esquizofrénica?
Acho que os fumadores deviam ver este projecto lei como uma oportunidade para perceberem que o fumo que eles engolem não só faz mal às outras pessoas como faz mal a eles próprios - e nós sabemos como isso é o mais difícil de admitir. No fundo é só fazerem na rua aquilo que já fazem em casa, porque a maior parte dos fumadores que conheço já não fumam em casa por terem filhos ou por o fumo deixar mau cheiro.
Por isso, peço aos fumadores que cumpram estas simples regras e fumem tudo o que quiserem. Afinal não se trata de uma proibição cega. Trata-se de proteger as pessoas que não querem fumar de todo ou simplesmente não querem fumar quando os outros fumam.
Por mais que se concorde que fumar é prejudicial para alguns (eu não sou fumador, apesar de já o ter sido por um tempo), proibir e castigar NÃO é a solução. Não posso é concordar com a crescente liberdade de proibir nesta... "coisa", chamada Portugal!
Será que também acharemos legítimo pedir, um dia destes, em breve, um ataque aos livros, aos filmes ou às peças de teatro que incomodam, como as que criticam o consumismo desenfreado, tipo "Gengis entre os pigmeus"?!
Para quando um "Fharenheit 451", já que temos um "1984" em pleno funcionamento, com o seu "Grande Irmão" e cumplíces a olhar por nós?