Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 11:59

Sab, 05/01/08

Eu sou fumador moderado há vinte anos pelo menos e estou de acordo com o novo ante-projecto de lei que o governo disponibilizou para consulta pública. De acordo com o que li o projecto lei visa mais proteger as pessoas que não fumam, dando assim início a uma importante prevenção de saúde pública, do que identificar os prevaricadores.
Eu sei que há muitas maneiras de combater esta lei: "o tabaco não faz só mal"; "as pessoas fumam tubo de escape todos os dias e não se importam...", e outros argumentos igualmente válidos e que até podem denotar alguma injustiça para os fumadores no projecto lei. Mas o que conta realmente é podermos estar num restaurante a comer sem termos de perder o apetite por causa de um cachimbo ou de uma cigarrilha.
Também me parece um ataque ferocíssimo às tabaqueiras que se debatem com quedas de lucro gigantescas. Para quando o ataque também às empresas de venda de álcool? Para quando o ataque à venda de medicamentos com contra-indicações graves? Para quando o ataque e consequente prevenção de todos os modos de vida nefastos? Para quando uma análise profunda daquilo que é a nossa vida esquizofrénica?
Acho que os fumadores deviam ver este projecto lei como uma oportunidade para perceberem que o fumo que eles engolem não só faz mal às outras pessoas como faz mal a eles próprios - e nós sabemos como isso é o mais difícil de admitir. No fundo é só fazerem na rua aquilo que já fazem em casa, porque a maior parte dos fumadores que conheço já não fumam em casa por terem filhos ou por o fumo deixar mau cheiro.
Por isso, peço aos fumadores que cumpram estas simples regras e fumem tudo o que quiserem. Afinal não se trata de uma proibição cega. Trata-se de proteger as pessoas que não querem fumar de todo ou simplesmente não querem fumar quando os outros fumam.


Xavier @ 16:16

Sab, 05/01/08

 

Proibir, proibir, proibir... Eis a questão.
Por mais que se concorde que fumar é prejudicial para alguns (eu não sou fumador, apesar de já o ter sido por um tempo), proibir e castigar NÃO é a solução. Não posso é concordar com a crescente liberdade de proibir nesta... "coisa", chamada Portugal!
Será que também acharemos legítimo pedir, um dia destes, em breve, um ataque aos livros, aos filmes ou às peças de teatro que incomodam, como as que criticam o consumismo desenfreado, tipo "Gengis entre os pigmeus"?!
Para quando um "Fharenheit 451", já que temos um "1984" em pleno funcionamento, com o seu "Grande Irmão" e cumplíces a olhar por nós?

Anónimo @ 22:40

Sab, 05/01/08

 

Acho que seria uma discussão muito grande, essa da proibição, Xavier.
O que é facto é que a proibição de fumar não é absoluta, apenas não se deve fumar em locais públicos, eliminando a possibilidade de prejudicar outras pessoas, porque o fumo é realmente um problema de saúde pública - principalmente quando se fuma em locais públicos... :-). Uma coisa é refutar estas medidas por serem indícios de autoridade à solta, outra ainda não concordar com a análise de que o fumo é um perigo para a saúde pública.
Não se trata de uma medida absolutista.
Acho que não devemos ficar tão apreensivos com a medida, ainda que eu também tenha medo das crescentes proibições que daqui podem advir. Ou do tique que revelam.
Seja como for, se proibissem a produção de peças de teatro a criticar o consumismo desenfreado, ou qualquer outra doutrina (coisa que não é rara, basta pensar na censura teatral que existiu na Grã-Bretanha até ao final dos anos 60!), a única coisa a fazer era escrever as mesmas peças às escondidas, já que escrever peças de teatro está um bocadinho de longe de constituir um perigo de saúde pública. Ainda assim, se alguma entidade maníaca e absurda declarasse não só as peças de teatro como toda a arte um perigo para a saúde pública, nessa altura eu começava a fumar (ao ar livre) o mais que pudesse de maneira a morrer o mais depressa possível. Para depois, como o Joe da Garage que nós conhecemos, fazer um solo de guitarra imaginário (ou peça de teatro) e morrer tranquilo em cima da merda que seria a humanidade desse dia.
Pedro

Xavier @ 09:50

Dom, 06/01/08

 

"Eppur si muove!" (contudo, ela se move) Galileu Galilei.
Fiquemos pelos simples e inquestionáveis factos sociais: Rui de Carvalho, Actor, em entrevista mais o seu filho João numa TV portuguesa de sinal livre afirmou que a sua Reforma não o permitia aposentar-se. Precisava de descansar mais, mas não podia. Tinha de trabalhar para viver!
O filho não conseguiu reprimir um desabafo e disse: "Somos um país de bananas governado por sacanas".
A frase é velha, conheço-a desde antes do 25 de Abril de 1974. Mas será que deixou de ser verdadeira em 2008?!
Há coisas que fazem pior à saúde (tanto física como mental) que o tabaco. Basta ver, ouvir e ler os "média" díários. Não podemos ignorar! É preciso reagir, abandonar o conforto das nossas cadeiras abuguesadas e mexer na trampa. Ao menos escrever, denúnciar! Como disse um poeta Catalão em 1970, "Às vezes a paz, não passa de medo!".

Anónimo @ 18:53

Seg, 07/01/08

 

Xavier, desculpa que te diga mas o exemplo que foste buscar do Rui de Carvalho é um bocadinho infeliz. Esse senhor há uns sete oito anos atrás pediu um aumento de 70% ao Teatro Nacional. Quando na altura já ganhava mais de 500 contos por mês mais a reforma que seria mais não sei quanto. Não sei qual é o nível de vida dele, mas não é de certeza o meu. Sorte a dele que pode recorrer ao tacho que teve durante anos no Teatro Nacional. É preciso não ter vergonha na cara para pedir um aumento de 70% quando todos os portugueses são aumentados 2 ou 3% - quando são!
Como deves saber ele fazia parte do quadro de actores do Teatro Nacional, daqueles actores que se recusavam a fazer peças, que regozijavam cada vez que viam que um novo director aparecia e a primeira coisa que fazia era fechar o teatro. Por isso, o Rui de Carvalho para mim não representa nada, muito menos a classe teatral.
Quanto à frase, todos nós a conhecemos. Só que eu estou farto de usar esse tipo de frases que no fundo só servem para sacudir a água do capote. Será que o João de Carvalho se acha Banana ou Sacana? Acho que nenhuma delas com certeza. Então porquê? Percebes Xavier?
Mas tens razão quando dizes que há muito mais coisas que fazem mal e são mais graves que o tabaco. Sem dúvida nenhuma. É verdade. Mas então canalizemos as nossas energias para elas. Canalizemos as nossas energias para acabar com a ignorância e a hipocrisia! Canalizemos as nossas energias para a divulgação de arte e conhecimento!
pm

Xavier @ 21:04

Seg, 07/01/08

 

Assim seja! Deixemos então a política e outras demagogias. Concentremo-nos na cultura e na arte, que são alimento mais substancial para o espírito. Não há ironia neste comentário, asseguro-te. Mensagem percebida.
Abraço.

MIGUEL RIS BARROSO @ 20:05

Ter, 08/01/08

 

Fumo em casa e na rua.e fora de mim.
A SEIVA (http://aseiva.blogspot.com)