Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 16:44

Ter, 05/06/07

I WAS A TEENAGE MALT SHOP

I Was a Teenage Maltshop foi uma “ópera juvenil dos diabos”, percurssora do projecto cinematográfico Captain Beefheart vs. The Grunt People. Neste filme podia ouvir-se Beefheart no seu melhor registo de pantomima, adoptando a mesma mistura de condescendência e provocação que levou Zappa a ser denominado “Tio Frank” na imprensa rock. Como verdadeiros conhecedores do R&B, qualquer abordagem à “cultura” juvenil só podia ser irónica.
A história era baseada na ideia de um velho que tinha uma filha chamada Nelda que era chefe de claque. O velho é dono de um estúdio de gravação mal sucedido porque o senhorio o quer despejar. Depois aparece um grupo com um jovem herói que vai para a faculdade, chamado Med the Mungler [sic], um lone ranger juvenil. Uma espécie de fantasia com música rock.
A letra de “Ned the Mumbler” é uma espécie de auto-retrato, o que talvez explique por que razão as referências de Ike Willis a Tonto e o “Hi-Ho Silver!”, anos mais tarde, fizeram Zappa rir tanto.
Jopeph Landis, o produtor da Repertoire Workshop da KNXT, uma estação de televisão da CBS, rejeitou o projecto de Zappa em Dezembro de 1964, não ficando “convencido de que o guião submetido possa assegurar um espectáculo de qualidade”, embora tenha garantido a Zappa que tinha “uma grande imaginação e talento”. A continuidade presa por arames de I Was a Teenage Maltshop reaparece em todos os maiores projectos de Zappa: de 200 Motels a Thing-Fish, tudo tem sido novas versões de I Was a Teenage Maltshop. Exactamente como James Joyce, cujos épicos dezassete anos de Finnegans Wake podiam ser um episódio da sua primeira colecção de contos Gentes de Dublin.