Retomamos o livro
As Dialécticas Negativas das Habilidades do Caniche de Ben Watson, sobre a monstruosa obra do compositor norte-americano Frank Zappa.
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GLAM ROCK E O MERCADO
OS MOTHERS EM 1970
Ernest Fleischman, director da Orquestra Filarmónica de Los Angeles, demonstrou interesse em apresentar algumas das composições orquestrais de Zappa. Para isso foi preciso reagrupar temporariamente os Mothers, os organizadores pensavam que um concerto exclusivamente orquestral não encheria os 11 000 lugares do Pauley Pavilion da U.C.L.A. (embora Zappa diga que estavam 14 000 espectadores).

O concerto teve lugar a 15 de Maio de 1970, foi dirigido por Zubin Metha, e fez parte dos quatro concertos do ‘Contempo Seventy’. Esgotou. Mel Powell, compositor de música serial e Deão da Escola de Música em Cal Arts, estreou –
Immobiles 1-4 – como protesto contra a incursão do pop. Sem pudor, Zappa deu o seu melhor para descontrair o público com afirmações do tipo ‘Dá-lhe, Zubin!’ Também representou a sua paródia do drama edipiano de Jim Morrison em ‘The End’. George Duke tocou teclados e Jeff Simmons baixo. Simmons foi outra das razões para Art Tripp se passar para Beefheart: o percussionista ex-Cincinnati não se dava bem com a aspirante estrela do rock que dizia dos músicos de orquestra, ‘Aqueles tipos estão fora, meu. É como trabalhar com pessoas de outro planeta.’ Sem contrários, não há evolução.
Zappa alternava os músicos, Don Preston, George Duke e Ian Underwood seguiam-se alternadamente. Tanto Ponty como Duke brilham em ‘King Kong’ e Duke tornava a tocar trombone em ‘Penis Dimension’. Os teclados funky de Duke revelam uma nova abordagem a ‘Pound for a Brown’, contrastando com o orgão cool de Underwood. A nova velocidade tornava as melodias excêntricas de Zappa e a guitarra ainda mais satíricas. Zappa precisava de elementos novos para as cantar.