Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 21:49

Seg, 18/02/08

É muito fácil fazer perguntas demagógicas, ser arrogante e desconfiado, interromper os pensamentos dos outros. O difícil é construir um pensamento responsável e coerente, saber o que são as prioridades e o que significa ser leal, difícil é afrontar os poderes estabelecidos em Portugal-a-Velha e tentar reformar a saúde, a educação, combater a falta de produtividade e a ignorância.
Foi isto que vi na entrevista ao primeiro-ministro hoje. De um lado dois jornalistas empenhados em fazer perguntas de oposição, claramente, aliás, nem se coibiram de o dizer, que fraca figura fizeram e que mau exemplo deram a toda a classe de jornalistas, e do outro um primeiro-ministro confiante no seu trabalho e nas suas ideias mas ainda hesitante quanto à sua continuação no governo do país.
Só digo esta, que é bem bombástica, eu não vou votar no PS, seja como for, mas se o Sócrates não se candidatar às próximas eleições legislativas, vamos ter muitas saudades deste governo...



Anónimo @ 04:12

Ter, 19/02/08

 

"Não sei quantos seremos, mas qu'importa?!
um só que fosse e já valia a pena.
Aqui,no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.

E o que não presta é isto,esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste."

Miguel Torga: "Camara Ardente", 1962

Marco @ 11:14

Ter, 19/02/08

 

Completamente de acordo com este post, como sempre bem escrito e de uma honestidade visceral. E depois de ter lido os comentários das oposições (todas, infelizmente) à entrevista, vê-se bem onde anda a mediocridade e a demagogia. Que tristeza! Sou capaz de votar PS só para não ver cair o meu país nas mãos do duo maravilha, Menezes e Santana. Não se trata aqui de defender o voto útil, como já aqui foi discutido, mas começo a pensar que desta vez pode valer a pena.

Xavier Pedralva @ 13:05

Ter, 19/02/08

 

"Sou capaz de votar PS só para não ver cair o meu país nas mãos do duo maravilha, Menezes e Santana." Que tristeza! Se isto não é demagogia é mediocridade, de certeza.
Eu sei que afirmei, post's atrás, que não voltaria a falar de política neste blogue, Pedro. Mas quem é que pode ficar indiferente a semelhante comentário?!

KameraManInBlack @ 13:12

Ter, 19/02/08

 

pensar que nas eleições só se pode votar no ps ou no psd é redutor...
há uns anos tinha-se medo que as máquinas dominassem o homem, mas o medo deveria ter sido que o homem pensasse como as máquinas & resumisse tudo a míseros zeros e uns.
:(

Marco @ 15:22

Ter, 19/02/08

 

Eu compreendo que o voto útil possa indignar quem sempre votou por convicção indiferente a pragmatismos na mesa de voto, mas um bocadinho de calma se faz favor. Não vim aqui para insultar ninguém nem para ser insultado. Este é um blogue de uma pessoa que conheço desde os meus cinco anos de idade, não é de ontem nem da semana passada nem desde que começou a traduzir As Dialécticas, é de uma vida inteira. Aqui tenho o direito de desabafar sem ter que levar com personagens virtuais a chamar-me demagogo ou medíocre. Não sou nem uma coisa nem outra, e não me deixo impressionar por pontinhos de exclamação.
Não defendi o voto útil como sistema. Não defendi que devemos abandonar as nossas convicções, sejam elas quais forem, a troco da máquina calculadora. O que eu quis dizer é que por vezes me sinto tão desesperado com a classe jornalística e política deste país que até considero a possibilidade de votar com cinismo. Isto entre amigos e pessoas saudáveis aceita-se como base de discussão, não como base para insultar.

Pedro M. @ 02:27

Qua, 20/02/08

 

Calma rapaziada.
@ xavier, podes escrever sobre o que quiseres. Seja política ou caracóis.
@ marco, gosto que venhas para aqui desabafar, sente-te à vontade, se quiseres soltar uma bufazinha, também podes, eu não a cheiro...
@ pedro, é claro que essa dicotomia não está presente no meu post, eu não acredito na alternância ad infinitum de PS e PSD, um dia as pessoas vão chatear-se e vão começar a votar noutros partidos, ou então o Manuel Alegre sai do PS e faz um partido que se coliga com o BE e o PCP... :-)
é só um questão de tempo, mas talvez não seja nem para os nossos filhos...

PoL @ 08:20

Qua, 20/02/08

 

Pedro,
não partilho a tua "crença" nessa mudança, mas partilho contigo a sensação que esta alternância entre ps's & psd's está para durar... talvez num futuro longínquo (pelo menos para mim) alguém comece a pensar que não existe uma só alternativa de modelo económico, que o mais importante da vida não é o Mercado, que há vida para além do bloco central... talvez... quiçá.

PoL @ 12:22

Qua, 20/02/08

 

já agora deixo-te uma pergunta: se o josé sócrates não se candidatar, vai fazer o quê? ainda é muito cedo para se lançar à presidência da república... para a união europeia vai o tony blair... vai ficar "parado" à espera que acabe o 2º mandato do actual presidente?...
=:-|
os políticos portugueses gostam muito de tabus... algum guru de marketing politico deve-lhes ter dito que era boa maneira de ganhar votos.
;)

Xavier @ 15:02

Qua, 20/02/08

 

Obrigado, Pedro. Então, aqui vai:

O Caracol

Pode a noite ir já distante
E o sol arder como brasa:
Mais atrás ou adiante,
Eu paro, e cheguei a casa.

A ave de volta ao ninho,
Rasga o ar com a sua asa,
Que eu, devagar, no caminho,
Direi já que estou em casa.

Todo o tempo me sobeja,
No monte ou na campina rasa,
Em qualquer lado onde eu esteja.
Se paro, cheguei a casa

(Cabral do Nascimento)

Pedro @ 18:34

Qui, 21/02/08

 

@ xavier :-)