Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 01:02

Ter, 10/07/07

DON PRESTON

Nascido em Flint a 21 de Setembro de 1932, Donald Ward Preston foi crucial na ajuda que deu a Zappa para transformar um grupo de R&B eléctrico como os Soul Giants na orquestra de câmara com instrumentos eléctricos com capacidades improvisatórias que Zappa precisava para realizar as suas ambições musicais. O pai de Preston era compositor residente da Orquestra Sinfónica de Detroit.
Fui influenciado muito cedo por Boulez, Xenakis e Penderecki. Era o que eu ouvia, mais que qualquer outra coisa, mais que jazz. Ouvia Lennie Tristano, Lee Konitz, Miles. Mas o meu ouvido estava sempre a tentar apanhar algo de novo.
Preston tocou piano com os melhores do jazz. No princípio dos anos 50 tocou com Elvin Jones, que foi mais tarde baterista do quarteto clássico de John Coltrane.
O Jones tinha dezoito anos apenas. Possuía independência total – ninguém percebia por que é que os seus membros não se tentavam seguir uns aos outros. Era inacreditável. O único desafio era, “Oh, vem aí um branco. (Rápida contagem) Um, dois, um dois três quatro...” Quando descobriram que conseguia tocar os tempos rápidos deixaram de se meter comigo.
Preston tocou baixo com o flautista Herbie Mann. Esteve sempre interessado em inovação musical e recorda-se de discutir com John Coltrane por este tocar muito tempo no mesmo domínio (o facto de ter viajado ombro a ombro com Coltrane e com Zappa na direcção da liberdade musical deve fazer de Preston uma espécie de eminence grise da música do século vinte). No final dos anos 50 muda-se para L.A., apanha Ornette Coleman no Caprice de Georgia Lee e faz digressões com Nat King Cole, na sua fase de canções populares. Tinha conhecido Paul Bley na Flórida em 1955 e tornou a juntar-se a ele na Costa Oeste. Depois de uma temporada com os AHA (Aesthetic Harmony Assemblage), Preston geriu um clube de música experimental na área de Silverlake. Entre os participantes estava o líder de big bands e trompetista Don Ellis, o saxofonista Bunk Gardner e Frank Zappa. Quando recrutou Preston e Gardner para os Mothers, Zappa comentou: “Eu tinha conhecido o Don e o Bunk há uns anos... costumávamos tocar música experimental – juntávamo-nos em garagens e tocávamos coisas bastante abstractas – só para nos divertirmos, percebes.”
A versão de Preston:
Eu disse, “Ei, tenho um grupo. Tocamos música improvisada. Por que é que não vens tocar connosco?” Ele disse, “Claro, ok.” Improvisávamos a partir de filmes de vida microscópica: ele tinha uns filmes bastante estranhos. Da primeira vez, não conseguia acreditar; havia um tipo bastante estranho, de cabelo comprido e barba. Parecia o Rasputine. Depois de saber quem era, deixei-o entrar em casa.
Zappa e Preston fizeram uma audição juntos – sem sucesso – para um concerto de jazz. Para não ficar de fora da continuidade conceptual, a vida-animal microscópica aparece no interior do álbum de Wild Man Fischer. A dialéctica de Zappa entre o populismo e o experimental fez com que Preston falhasse a sua primeira audição nos Mothers.
Fiz a audição e o Frank disse “Lamento Don, não sabes nada de rock ‘n’ roll” – o que era verdade. Nunca tinha tocado e muito dificilmente ouvia. Depois disso consegui uma série de trabalhos em bandas de rock.
A aprendizagem deu frutos e Don Preston juntou-se aos Mothers em 1967. O tempo passado a improvisar em filmes da vida animal não foi perdido.
Eu tinha andado a tocar todo o tipo de música de vanguarda. Quando chegámos à banda, era isso que fazíamos, principalmente com o Bunk Gardner. Tinha feito esse tipo de coisas durante anos, portanto quando as fazíamos em palco, estávamos à vontade.
As improvisações livres dos Mothers – frequentemente dirigidas por Zappa com gestos “secretos”, procedimento conhecido mais tarde por direcção (usado nos anos 80 por figuras como John Zorn e Butch Morris em Nova Iorque e Mick Beck em Sheffield) – produziram alguma da mais extraordinária música do século vinte (documentada superiormente em Weasels Ripped My Flesh). Estas levantam a “muito debatida” questão da criatividade e autoria, especialmente “muito debatida” neste contexto, pelos processos legais consequentes entre Zappa e a sua banda original (que fez mais tarde uma digressão como Grandmothers, denunciando a cada oportunidade os “roubos” de Zappa). No lançamento em CD Absolutely Free, Zappa foi longe ao omitir a fotografia da banda e os créditos dos músicos. Eugene Chadbourne, que trabalhou com Jimmy Carl Black, gravou uma canção de protesto popular-islâmica sobre o assunto, “O Homem que Criou Casos Com Dinheiro”. A nota que se lia no disco dizia:
Um grupo de amargurados ex-colegas do lendário líder da Arábia Saudita, Crank Zapatalist juntaram-se para se lamentarem e queixarem sobre o modo como as coisas podiam ter sido diferentes. Um exemplo de canção popular “de confusão” ou “meretriz” comum ao país islâmico e ao movimento Ocidental.
A ironia de Chadbourne não nos deixa concluir que ele leva a sério as queixas dos Grandmothers. Ao meter a música experimental no mercado, viabilizando um influxo de dinheiro onde tradicionalmente há tão pouco, Zappa corria o risco de ser visado. Com os Mothers, Don Preston tocou música realmente extraordinária – há solos de mini-moog inovadores em Live at Fillmore East (“Lonesome Electric Turkey”) e nos temas que dão nome aos discos Waka/Jawaka e Grand Wazoo – e continuou, encantando a dança (The Visit from Bob Smith, Meredith Monk), o jazz (a série Fields de John Carter), as bandas sonoras (Apocalypse Now) e o rock vanguardista (Preston tocou na banda de 1979 de Michael Mantler/Carla Bley num estilo muito próximo ao dos Mothers) com os seus teclados de média tecnologia. A exposição garantida por um lugar nos Mothers foi útil.
No que diz respeito a ser popular, eu nunca fui, de alguma maneira, consciente. Aconteceu de forma tão gradual que não me apercebi senão muito mais tarde. Às vezes olhava para o público e pensava “isto é incrível”. De vez em quando via uns flashs, mas na maior parte do tempo estava demasiado ocupado a tentar tocar a música.
Depois dos anos 70, a música de Zappa foi afectada pelo uso de músicos tecnicamente habilidosos que não possuíam o carácter inovador de Don Preston; tal como muitos compositores envelhecidos – incluindo Boulez e Stockhausen – ele prosseguiu o caminho do controle total em vez de perseguir a dialéctica das suas primeiras colaborações. Sem dúvida que os Mothers originais não teriam conseguido tocar as delirantes perversões de “Sinister Footwear” ou “Ship Arriving Too Late to Save a Drowning Witch”, mas o passado de Preston e os seus interesses fazem-nos lembrar que a música de Zappa não é criada isoladamente (erro comum dos zappófilos). Zappa absorveu as improvisações pós-Stockhausen de Preston e Gardner e incluiu-as na sua arte: na realidade, do mesmo modo se ouve o borbulhar do mini-moog de Don Preston, quinze anos mais tarde nas peças para synclavier de Jazz from Hell. Acidentes e tecnologia, transgressões de géneros e abstracção são produtos da comercialização da vanguarda: aquilo que constrói o projecto de Zappa e o torna especial é a acção destes elementos no comercial – torna a sua música mais ambiciosa. Fora do gueto da arte há mais coisas a considerar.



edson coke @ 18:17

Ter, 10/07/07

 

Dia 25 de Julho, acontece no Brasil (mais especificamente na cidade de São Paulo) o ZAPPA's DAY.

O evento reune vários artistas, que estarão expondo sua arte, todas baseadas na obra de Frank Zappa.
Os Fãs poderão encontrar livros, pinturas, posteres, cds, dvds... enfim, tudo quanto é souvenir que possa enriquecer suas coleções.

Destaque para o show da The Central Scrutinizer Band, famosa banda cover a tocar grandes pérolas de Frank Zappa

Mais informações: www.scrutinizer.com.br