Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 08:30

Dom, 23/08/09

Enquanto o país agoniza na chamada época da parvoíce, ou silly season, penso naquilo que ele se vai transformar depois da crise, depois das eleições, depois do Sócrates ou simplesmente depois.

Da esquerda à direita, toda a gente diz que o governo do Sócrates foi mau. Nunca houve tanto desemprego, a crise agravou a situação financeira do país, a arrogância de um governo de maioria exasperou os pobres portugueses que gostam de tudo menos de alguém que saiba o que quer fazer. Goste-se o que se gostar, mas dizer que este governo foi mau é esquecer como foram os últimos 20 anos de vida política em Portugal: Cavaco (o pior primeiro-ministro que Portugal teve, que conseguiu esbanjar os fundos estruturais da CEE em políticas conjunturais de auto-estradas e corrupção generalizada - curiosamente agora consegue ser também o pior Presidente da República do pós 25 de Abril, este senhor não tem mesmo jeito para cargos políticos, pudera! Ele nem sabe falar!); Guterres que bazou depois de constatar o pântano que era Portugal (olha que novidade! Então ele não sabia disso antes?); Durão Barroso que bazou  também (nova tendência dos políticos portugueses do final de século: bazar depois de impadamente chegarem ao poder) e Santana Lopes que foi bazado. Por isso o Sócrates até nem foi mau: para já não fugiu como 50 % dos primeiros-ministros pós CEE, não desperdiçou tantos fundos estruturais porque já quase não os recebe e não foi demitido. Não digo que tenha sido bom, mas para a habitual mediocridade, foi o menos mau. Só que, para os portugueses, quando se trata de um governo, convém que seja sempre um que deixe tudo em águas de bacalhau e não faça nada. Eu sei, eu conheço o tipo, sou português.

Isto vem de longe, como o porto sandeman, são uma fama e um proveito (infelizmente) que vêm, pelo menos, desde o final do século XIX, quando Regeneradores e Progressistas alternavam em governos com o beneplácito do nosso Rei D. Carlos. Está claro, nem toda a gente votava, as coisas eram ligeiramente diferentes, mas eram? A conclusão é que também não saíamos da cepa torta, porque os partidos constantemente guerreavam por uma coisa que nem eles sabiam o que era, mas que agora pode ser nomeada: a sede do poder. O poder pelo poder. O poder por vaidade. E quem melhor que um rei para compreender esta sede de poder? Principalmente um rei como D. Carlos que não tinha nenhuma sede dele. Vivia pura e simplesmente na certeza de que de rei não passaria. Um rei de um povo atrasado que ele queria iluminar com o seu talento...

A conclusão foi uma ditadura. Ou seja, quando o rei se chateou com a merda que os governos faziam à vez, fossem quais fossem (como agora a alternância PS - PSD), decidiu instaurar uma ditadura. Mas atenção, não era um ditadura como a que depois conhecemos. Era apenas governar com o Parlamento fechado. Era como se o Cavaco agora escolhesse a Ferreira Leite para governar sem dar cavaco a ninguém (jogo de palavras intencional)... o que é que acontecia ao país? As pessoas diriam, se isto é uma República, prefiro a monarquia. Desconfio que havia muito mais gente a içar bandeiras azuis em Câmaras Municipais.

Isto para dizer o quê? Para dizer que a alternância PS - PSD cheira mal e já é recorrente neste país desde sempre. Esta alternância é o mal do país. E pior ainda, quando não há esta alternância o país cai numa ditadura. Que fazer então?

Pensem bem antes de votar PS ou principalmente PSD nestas eleições. Pensem que estão a contribuir para a alternância entre dois partidos iguais nos seus autismos mas diferentes nos seus processos. Pensem que a verdadeira mudança de que a maior parte dos países começa agora a falar não vem destes dinossáurios da incompetência e da falta de visão estratégica. Mais alternância, mais PSD ou mais PS é mais um passo certo na mesma direcção que temos seguido durante pelo menos 150 anos. Pensem bem antes de votar. Ou seja, votem, mas votem bem.

(Fui só eu que reparei ontem a SIC Notícias a dar em directo uma boa meia-hora de comício do CDS? Fui só eu que reparei como um comentador disse que a avaliar pelo trabalho do CDS no Parlamento o partido merecia mais votos? Fui só eu que reparei que a comunicação social está a obrigar o país a mudar à direita?)

Pedro... já estou a fazer as malas... :-)


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pedro @ 15:02

Dom, 23/08/09

 

aposta no sul. o futuro está lá em baixo.
a europa é um continente morto...


Pedro Marques @ 16:31

Dom, 23/08/09

 

A Rússia não é na Europa... :-)

Núncio @ 01:02

Sex, 04/09/09

 

Pedro, Pedro:
a cena dos fundos tá deturpada e isso muda tudo.
Informe-se, rapaz. Ao contrário do que se pensa, não foram os anos coincidentes com o "Cavaquismo" os mais generosos, mas sim os dos governos de Guterres (QCA II).
E o actual (QCA III) não é nada de deitar fora...


Pedro Marques @ 01:22

Sex, 04/09/09

 

Talvez se explicar melhor aquilo que quer dizer eu me possa informar do que está a falar. Explique por miúdos essa siglas...
Não tenho muito jeito para mensagens cifradas...