Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 11:30

Sex, 05/06/09

Edward Hopper é um dos meus pintores preferidos. Durante toda a primeira metade do século XX ele conseguiu construir o seu olhar próprio à margem de todas as vanguardas da pintura. O seu trabalho é de uma beleza indescritível como podem ver nesta água-forte de 1921.

A posição da mulher, a cama meia desfeita, o vento que entra pela janela. A noite do título que no desenho nos aparece totalmente branca através da janela é enigmática. Quase que sentimos a respiração ofegante da rapariga. O corpo dela está magnificamente desenhado. O comprimento dos cabelos, a cara coberta por eles, tudo me é estranhamente familiar. Porquê?

Mark Strand diz: "Quanto mais realistas são as imagens, mais elas nos pedem que construamos uma narrativa do que aconteceu." Acho que este é o caso. Quando a sensibilidade de um pintor nos atinge desta maneira podemos estar certos que estamos diante de Arte com "A" maiúsculo.

Diz Edward Hopper: "Quando estou a pintar procuro sempre utilizar a natureza como meio, tentando fixar na tela as minhas reacções mais íntimas ao objecto, tal como ele me aparece no momento em que mais gosto dele, quando os factos correspondem aos meus interesses e ideias interiores: não posso dizer porque motivo gosto mais de escolher uns objectos do que os outros, não sei mesmo especificar porquê, só posso dizer que penso que são o melhor meio para um resumo da minha experiência interior."

E ainda bem.