Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 21:25

Sex, 29/05/09

Começou a campanha eleitoral. Como todos se devem ter apercebido, o tom dos insultos e das provocações dos candidatos já passou para níveis abaixo de cão, como seria de esperar. Os escândalos na televisão sucedem-se à velocidade do nosso esquecimento: freeports, casos alexandra, entrevistas do marinho pinto mais ou menos hilariantes, manuelas moura guedes embasbacadas mas irredutíveis nos seus movimentos genuflexórios ao dinheiro, bpn's e coisas igualmente irrelevantes ou não, vão-se sucedendo nos noticiários, na net, imagino que na rádio também. Os candidatos, quase todos demagogos inconsequentes, alinhados com uma democracia podre, encostada a uma Europa cada vez mais em crise, atiram pedras uns aos outros tentando esconder os seus telhados de vidro. Acho que não consigo imaginar coisa mais deprimente que o espectáculo que estes senhores nos vão proporcionando.

À parte disto tudo passa a excelência de meia dúzia de portugueses: o João Salavisa que ganhou a Palma de Cannes para a melhor Curta Metragem e que eu ainda nem sequer vi referido, com o destaque devido, em qualquer telejornal ou noticiário. Porquê? Gostamos de rebolar na mediocridade, não é? Ah que grande país!

 

A curta-metragem "Arena" de João Salaviza venceu este domingo a Palma de Ouro na categoria de Curtas-metragens no 62º Festival de Cannes.

João Salaviza, de 25 anos, que já tinha visto «Arena» ser premiada no IndieLisboa, agradeceu em Cannes a oportunidade de mostrar o seu amor pelo cinema.

 

É inacreditável como nós somos com a nossa gente. Às vezes chego a perguntar-me se merecemos mesmo a democracia que temos, o clima, o país que tanto sangue custou, toda esta coisa a que se chama Portugal, língua portuguesa, fado e quejandos.

Para que queremos um país que ignora o que de melhor se faz? Mas que merda de jornalistas temos nós que só dão conta do que é escandaloso e pode vir a vender? Mas que caralho (agora apetece-me mesmo ser mal educado e escrever umas asneiras) queremos nós da vida para além do dinheiro? Queremos ficar sentados em casa a chafurdar nos nossos computadores, interminavelmente, vivendo uma vida virtual, mirrados e engelhados, a olhar para a realidade através de ecrãs? Não há nada real que tenha real valor?

E eu, quando é que eu vou deixar de pensar que sou diferente dos outros e que estes desabafos que aqui escrevo não são mais do que inconsequentes e sofrem do mesmo mal que dizem combater? E agora? Que faço eu agora depois de ter constatado que afinal disparar para a mediocridade me atinge a mim? O que se faz quando a consciência é tão pesada que não deixa florescer os nossos sentimentos mais puros?

Que merda de país, sociedade, mundo são estes?

É este o mesmo maravilhoso e resplandecente mundo com que eu sonhei e no qual pensei vir a fazer a diferença? Sim, a diferença. Não a vaidade da diferença, mas o orgulho da mesma. Será o mesmo mundo?