"Precisamos de um outro modelo de desenvolvimento, precisamos de um novo paradigma de governação democrática. O país sabe-o.
Sabem-no os homens e mulheres que todos os dias fazem os serviços públicos.
Sabem que nas escolas, nos hospitais, nas instituições de apoio social, onde trabalham todos os dias, há uma crise que tem décadas e que vive quotidianamente com o desinvestimento público. Sabem que há um discurso opressivamente dominante que favorece sempre a deslegitimação da coisa pública e a menorização da República.
Sabem que as desigualdades lhes entram todos os dias pelas portas adentro, que esse é o défice democrático – a democracia por cumprir – e que têm cada vez menos instrumentos, porque aos serviços públicos se impôs uma mimetização da lógica de gestão do mercado, que escarnece do próprio conceito de direitos sociais. E sabem que a democracia está açaimada, estreitada e vigiada, quando os seus protestos em nome da dignidade do serviço público são sempre menorizados e enxovalhados, como se as suas vozes cidadãs fossem ruído.
(...)
Reconhecer a crise não pode ser, portanto, um pro forma, como se de um mera frase de conversação se tratasse. Reconhecer a crise é perceber a falência e, consequentemente, o fim do modelo de desenvolvimento de matriz liberal."
Discurso lido por Ana Drago do BE na Assembleia da República. 25 de Abril de 2009.