Há cerca de 120.000 anos, o Homo Sapiens reconhecível como nosso idêntico ancestral já tinha emergido. Um grupo em particular de Homo Sapiens "moderno" instalou-se permanentemente numa gruta na boca do Rio Klasies na África do Sul entre 120.000 e 60.000, desenvolveu uma vida doméstica complexa, abateu búfalos gigantes com lanças, possuiu um conhecimento complexo do seu meio ambiente, praticou música e arte (usando "lápis" vermelhos ocre), desenvolveu rituais de enterro dos mortos e usou a linguagem de uma maneira parecida com a nossa de hoje. O Homo Sapiens tanto absorveu como substituiu o Homo Neanderthalensis e o Homo Erectus.
Esse período trouxe consigo uma "explosão cultural". A espécie conseguia representar humanos, animais, símbolos, e talvez até anotar a passagem do tempo (em calendários lunares) em osso e marfim, pedra e madeira. Produziram flautas, tambores e instrumentos de cordas, pintaram ou gravaram as paredes das grutas. Como Fischer assinala, "Por esta altura o discurso articulado - e o racionalismo simbólico que ele permitia - era com certeza usado das mesmas maneiras que conhecemos hoje, os hominídeos já não eram apenas o "macaco falante", mas sim o "macaco simbólico".
As primeiras formas de discurso permitiram uma comunicação e planeamento suficientes para os seres humanos atravessarem mares, fundarem aldeias, e mais tarde desenvolverem tecnologia, caça, música, dança, rituais e narrativas. De acordo com Merlin Donald, a evolução do discurso e linguagem humanos transformou as nossas capacidades miméticas numa fase "mítica" do nosso desenvolvimento. Contar histórias sobre nós, as nossas comunidades e o nosso lugar no mundo, permitiu um modo completamente novo de compreender e representar a realidade. Estas acções culturais primárias e pré-letradas orais, rituais e xamânicas serão examinadas aqui à medida que se desenvolveram em aglomerados de comunidades íntimas e pequenas.
Tradução minha
http://www.boingboing.net/2009/03/24/fra