Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 00:03

Qui, 05/03/09

A linguagem é um termo que agora é normalmente aplicado a uma miríade de formas de comunicação que se desenvolveram durante milhões de anos e que permitiram que todos os seres vivos comunicassem uns com os outros, principalmente entre os que são da mesma espécie. Os etnólogos estudam tudo, desde a linguagem da dança das abelhas do mel, até à "linguagem" química das formigas, ou aos variados modos bio-acústicos de comunicação, como sejam os das aves, rãs, baleias azuis e elefantes. As frequências das "linguagens" acústicas estão muitas vezes acima ou abaixo do alcance do ouvido humano. Os cientistas que estudam as baleias corcunda das Bermudas descobriram que elas vocalizam longas "canções de amor" que variam em tonalidade e duram entre 6 e 30 minutos. Essas canções mudam ao longo do tempo, num processo constante de desenvolvimento onde novos elementos são compostos, repetidos e elaborados. Os golfinhos, tal como, principalmente, os chimpanzés anões, os bonobos - com quem os humanos partilham 99% do material genético - podem ser ensinados a comunicar espontânea e criativamente.

Mas a humanidade e os nossos mais próximos antepassados desenvolveram modos mais sofisticados de comunicação tanto natural como artificial. Como é que isto aconteceu? Embora os grandes símios que anteciparam o desenvolvimento hominídeo possuíssem ligações cerebrais necessárias a modos complexos de comunicação expressiva para passar informação, aquilo que os humanos talvez possuíssem de especial eram os lábios, a língua, e alguns modos de expiração controlada que anatomicamente permitiriam que falássemos.

Algumas formas de desenvolvimento humano, tais como a fabricação de ferramentas, não precisam necessariamente de uma linguagem. Mas actividades sociais mais complexas, por exemplo, atravessar um corpo de mar como o Estreito de Gibraltar (entre o Sul de Espanha e o Norte de África) numa migração planeada, certamente que o requeriam. Da mesma maneira, a caça em cooperação precisa do uso da linguagem.

À medida que a faculdade anatómica para respirar bem, de modo a possibilitar a linguagem, se desenvolvia, o cérebro não deixou de aumentar, e à medida que modos mais complexos de processos de pensamento e linguagem evoluíam, as ligações cerebrais que eram necessárias também se desenvolviam. Aquilo que resultou não foi uma única linguagem "primitiva", mas sim a capacidade única de usar a linguagem usando-a como referência, isto é, a faculdade de usar palavras que conduzem a outras palavras através da síntaxe. Este desenvolvimento só terminou anatomicamente quando os humanos modernos, os Homo Sapiens, passaram a ser dominantes, há cerca de 150 000 anos.

 

Phillip. B. Zarrilli

Tradução minha