Modos de comunicação miméticos e episódicos
Para os nossos antepassados mais remotos, a apreensão directa através dos sentidos desempenhou um papel primordial na sobrevivência durante centenas de milhar de anos. Os nossos cinco sentidos permitem-nos apreender directa e imediatamente e responder ao ambiente aqui-e-agora. Embora os nossos sentidos e percepção continuem a ser importantes hoje em dia, já não dependemos deles para sobreviver na mesma medida que um dia o fizemos, excepto no caso de desastres naturais ou conflitos violentos.
Na história humana, participar em actividades colectivas físicas, tais como formas primitivas de caça, música e dança e rituais arcaicos, serviu desde muito cedo para melhorar as percepções e a atenção, e para orientar e sintonizar melhor cada uma das pessoas com os outros membros do grupo e com o meio ambiente. Nestas primeiras actividades, o humano operava em primeiro lugar como perceptor/fazedor/actor-do-mundo. Cada uma das pessoas interpelava o mundo directa e imediatamente sem a mediação do "pensamento" de estar a realizar a actividade. As formas arcaicas de música, dança e rituais pediam às pessoas que se movimentassem ou exteriorizassem com a voz simultaneamente - um meio de sintonizar a atenção sensória de cada um para os outros e de desenvolver laços sociais. O sucesso da caça com armas arcaicas dependia da faculdade do indivíduo e do grupo para se movimentarem em silêncio, rápida e furtivamente, e ao mesmo tempo manterem uma coordenação síncrona através de comunicação não-verbal com os outros. A sobrevivência era sem dúvida mais bem sucedida naqueles mais sincronizados com os seus sentidos e naqueles que, em pequenos grupos de comunidades que lutavam pela vida em condições bastante agrestes, conseguiam estabelecer laços mais fortes com os outros .
Estudos de etnólogos sobre o comportamento animal mostram que muitos animais, e especialmente os nossos antepassados primatas, também se envolviam em mimesis (imitação) simples. A faculdade para aprender através de comportamentos miméticos é essencial à sobrevivência. A mimesis também pode ser autotélica; ou seja, ter as suas próprias recompensas que são vistas como agradáveis e até divertidas. O comportamento mimético pode por isso gerar um sentimento de bem-estar. Merlin Donald usa a palavra "mimético" para descrever a segunda fase do desenvolvimento humano que vai para além do episódico. Na fase mimética, o gesto, a pose e a expressão facial começaram a ser usadas como formas primitivas de comunicação não-verbal.
Tanto o modo episódico de viver o momento como o modo mimético têm sido nucleares nas actividades do intérprete e do actor em todas as histórias e culturas. Os modos mimético e episódico são aspectos sine qua non da acção cultural ou performance, embora tenham sido inventados vários modos de exercitação para satisfazer os vários géneros específicos de acções culturais.
Tradução minha