Parece que o caso Freeport está para durar. Hoje o Procurador Geral da República disse que serão ouvidas todas as pessoas que forem consideradas arguidas no processo, e perante a insistência dos jornalistas acrescentou que qualquer um deles (jornalistas) poderia responder no caso. O quê?
Bem, eu percebo o Procurador, quis dizer que não vai parar sejam quais forem as pessoas envolvidas. Eu sei. É isso que a justiça deve fazer. Mas dizer que os jornalistas podiam ser envolvidos, deixou-me de antenas no ar. Será que vamos assistir ainda à condenação de algum jornalista por violação do segredo de justiça, ou de qualquer outro segredo?
Cá para mim, eu cheiro que o caso Freeport se resume àquele priminho do Sócrates que aparece todo luzidio nas fotos divulgadas e foi para a China de onde não tenciona sair tão depressa. Foi ele que envolveu o nome do priminho nuns negócios que fez, tentando pressionar a autarquia, chegando mesmo a conseguir que o primo estivesse presente numa reunião. Por que é que o Sócrates lá foi parar é algo que me parece que nunca saberemos. Foi lá. Ponto. Foi lá mostrar-se apenas.
Aliás, Sócrates gosta de mostrar-se. Gosta. Ele faz alarde da sua posição, assume-a, e é bom que um político faça isso. Mas também que não seja um tique. E aquilo que começa a parecer em Sócrates é que toda aquela pose não passa de um tique. É claro que é apoiada por uma retórica inteligente, mas continua a ser um tique.
Isso foi claro na maneira como ele se dirigiu às pessoas que estavam no apoio à candidata do PS para o Porto Elisa Ferreira. O discurso foi desproporcionado, quase que parecia que o primeiro-ministro estava a discursar para a Europa ou o Mundo. Será que ele está a perder o sentido das verdadeiras dimensões das coisas? Com o aproximar-se da campanha eleitoral vai começar a ficar histérico? Ó Sócrates, calma. Já basta a tão afamada "crise dos ricos" para nos pôr os cabelos em pé.
Enquanto milhares de trabalhadores vão para o desemprego todos os dias, vítimas de uma sociedade em desenfreada corrida para comprar nadas, o nosso carnaval lusitano prossegue, com censuras e ignorância, olhando com saudade para o samba do outro lado do Atlântico e a perguntar-se, fomos nós mesmo que fundámos aquele país da Alegria?