Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 21:12

Seg, 13/08/07

Julgas que te vou carregar o fardo sempre?
Julgas que suarei e labutarei sempre?
Julgas que te darei as minhas pernas e o meu sangue?
Como os pássaros do ar! Como as bestas da terra!

Julgas que irei sempre quando chamares?
Julgas que saltarei sempre quando gritares?
Julgas que vergarei sempre o pescoço?
Como uma besta no estábulo! Com um anel no focinho!

Julgas que combaterei nas tuas guerras sempre?
Julgas que te darei o meu ar sempre?
Julgas que marcharei para ser morto sempre?
Como os palhaços na tua corte! Como os exércitos da morte!

Crescerá erva nos campos de batalha
A ferrugem corroerá os mísseis e radares
No sítio das torres de vigia crescerão árvores
As prisões e quartéis desaparecerão pelo fogo
Não preciso da tua piedade ou de temer os teus punhos fechados
A minha ira erguer-se-á como o sol nascente
Num mundo vazio, onde ninguém velará
E só o vento uivará junto da tua pira funerária

Edward Bond: Jackets
tradução: minha