INTRODUÇÃO
A evolução da linguagem e discurso humanos e a invenção da escrita tiveram um impacto revolucionário na consciência humana. Cada uma delas mudou fundamentalmente o modo como os humanos interagiam uns com os outros e com o seu meio ambiente, e de como se imaginavam a si próprios e ao lugar que ocupavam no mundo. Esta primeira parte analisa as acções culturais e o teatro à medida que cresciam por todo mundo antes de 1600. Olha para a acção cultural e o teatro desde a evolução do discurso humano, através do nascimento da linguagem e o desenvolvimento de sistemas de escrita, até à invenção da imprensa, primeiro na China (século sete) e mais tarde na Europa (século quinze).
A história da humanidade abrange cinco milhões de anos, contudo, a maior parte dos dados históricos dos nossos empreendimentos colectivos concentram-se na vida desde a invenção da escrita, cerca de 3000 a.C. Dada esta concentração em culturas e povos alfabetizados em vez de analfabetizados, 99.9 por cento da história humana recebe muito pouco estudo sério. Os historiadores de teatro e das acções culturais concentram-se normalmente onde há provas sob a forma de textos escritos ou em ruínas arqueológicas de estruturas construídas com o propósito de albergar acções culturais. Discutiremos os problemas historiográficos da interpretação e compreensão da acção cultural em culturas pré-alfabetizadas. Também teremos uma visão geral sobre um vasto conjunto de acções culturais orais, rituais e xamânicas que se desenvolveram durante a história humana pré-alfabetizada mas que ainda informam e interagem com práticas de acções culturais alfabetizadas em muitas culturas hoje em dia. Depois examinaremos como a obra dramática e o teatro se desenvolveram como formas distintas de práticas performativas ao lado de acções culturais orais e rituais existentes em algumas sociedades alfabetizadas.
Aqui, consideraremos o que terá sido a consciência humana antes da linguagem tal como nós a conhecemos, analisando como a percepção, a acção e a imitação foram centrais para a existência humana primitiva. Traçamos uma teoria da evolução do discurso e da linguagem que explica como os humanos desenvolveram a faculdade singular da comunicação simbólica - uma faculdade essencial para o contar de histórias e para a obra dramática escrita e representada. Analisamos os modos como a imaginação humana e a faculdade de comunicar através da representação são levados a cabo por tipos diferentes de organizações sociais.
Consideramos depois o impacto da invenção de sistemas completos de escrita, pelos sumérios na Mesopotâmia (3000 a. C. aproximadamente), e por sociedades de nativos americanos na Mesoamérica (provavelmente no Sul do México, cerca de 600 a. C.). A invenção da escrita e o acto concomitante da leitura produziu uma revolução tanto na consciência humana como nas organizações sociais tão profunda como a invenção do discurso e da linguagem. Em algumas culturas esta revolução produziu modos altamente reflexivos de escrita/leitura/acção cultural, como a poesia, drama, e crítica.
Tradução minha.