Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 19:30

Dom, 01/02/09

Um dia, o Billy foi fazer exame. As perguntas eram difíceis. Não conseguia responder a todas. Espreitou por cima do braço do colega. Viu as respostas escritas no teste. Copiou-as para o seu. O professor viu-o a espreitar e copiar. O Billy não passou no exame e foi expulso.
Nessa noite, ele estava tão aborrecido que não conseguia dormir. Desceu as escadas e foi buscar um copo de água. Ao passar à porta da sala de jantar ouviu o pai planear com os amigos o incêndio da casa da esquina. Não gostavam do homem que lá vivia. A pele era diferente da do Billy e do seu pai. O Billy disse para consigo, ‘A espreitar outra vez! Devo dizer ao professor o que ouvi? Se contar ao professor, o homem que vive na casa da esquina fica feliz. Mas eu também fiz batota no exame porque queria passar e fazer o meu pai feliz. O meu pai diz que não tem um bom emprego porque nunca passou num exame. Mas se é errado fazer batota para tornar o pai feliz, deve ser errado fazer batota para o homem da casa à esquina ficar feliz. Não vou dizer nada.’ Mas ficou muito infeliz quando a casa ardeu. O homem também ardeu. Teve de ir para o hospital.
Ora, o filho desse homem era colega do Billy. Brincavam muitas vezes juntos. Mas o Billy já não gostava das brincadeiras. Ficava triste. Decidiu falar com o professor. Foi ter com ele e disse, ‘Eu sabia que o meu pai ía deitar fogo à casa. Não disse nada porque era fazer batota. Agora já não gosto de brincar.’
O professor bateu no Billy. O pai e os seus amigos foram parar à prisão. E claro que os colegas já não se sentavam ao seu lado. Olhavam todos para o Billy e diziam, ‘O que é que tás à espera? Vens de uma família de criminosos.’
O Billy cresceu. Foi trabalhar para um escritório do estado. Um dia encontrou muitos planos numa gaveta. Um dos planos era de uma cidade do país vizinho. Mostrava onde o seu país ía deitar bombas. No plano dizia-se que a cidade e tudo o que existia iriam ficar em cinzas. O Billy pensou na educação que teve. Decidiu avisar as pessoas do outro país de que íam ser queimadas. Pegou no plano e meteu-o num envelope. Um superior suspeitou e viu-o a pôr o plano no correio. O superior suspeitava dele por causa do seu passado criminal. Deram uma ordem especial ao carteiro para abrir a caixa do correio e entregar o envelope a um oficial de alta patente. O oficial leu o endereço do envelope e abriu-o. O plano estava lá dentro. O Billy foi morto.

 

Edward Bond, Fables. Minha tradução.