Há semanas assim. Na quarta fui ver Bedbound do Enda Walsh no Teatro de Almada pelos Artistas Unidos. O António Simão e a Carla Galvão, geniais. O texto do autor irlandês é um punho no estômago. A verborreia é escatológica, os palavrões sucedem-se, ele escondem a falta de ligação à vida, a interjeição como invocação aos deuses. E afinal tudo se resume num beijo apenas. Ou melhor, em dois.
Na sexta-feira um texto de Faulkner The Sound and the Fury, por uma companhia americana estupenda, a contar uma história complicada mas de um modo bastante divertido e aproximativo. Belos trabalhos de iluminação e som. Actores que cantam, dançam e representam. Um regalo para os sentidos.
Hoje, Lope de Vega por uma companhia espanhola na cornucópia. As Bizarrias de Belissa. Uma comédia divertida, de extrema beleza lírica que se ia perdendo nos meandros do castelhano. Dei por mim a pensar que na altura que o Lope de Vega escrevia estas coisas nós éramos todos espanhóis. As comédias de Lope de Vega podem ter sido representadas em Lisboa na altura em que foram escritas. Estas mesmas comédias, sobre amor juvenil, sobre o amor como única força reguladora.