Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 00:18

Qua, 14/01/09

Por uma vez estive tentado a falar de futebol aqui. Quando o Scolari foi castigado e eu pensava que a melhor pessoa para o substituir seria o Mourinho. Escrevi o texto, publiquei-o e ficou no post durante um dia, talvez, mas depois tirei-o porque achei que não era significativo. Hoje, devo dizer que sou obrigado a fazê-lo porque o Cristiano Ronaldo ganhou o prémio de melhor jogador de futebol do mundo, seja lá o que isso quer dizer.

Quero escrevê-lo e comemorá-lo da mesma maneira que ele o fez. Com orgulho e modéstia e regressando ao trabalho no dia seguinte, com convicção e confiança. Ele é o melhor, e a sua mestria na arte de trocar as voltas ao defesa, rematar de sítios impossíveis, dar o efeito 'x' à bola, não quer dizer que ele não seja humano, ele é, pelo contrário, a exaltação das extraordinárias faculdades do ser humano, e nesse sentido podia ser argentino, russo ou italiano.

É claro que gostamos disto porque ele nasceu na Madeira e cresceu no S.C.P. para o futebol. É um produto de Portugal e tem qualidade. Ora, o que é que isto tem a ver com a mediocridade aparente do nosso país? Exactamente. Nada. E foi por isso que decidi escrever o post. Para, por uma vez, não celebrar aquilo que há de mais embaraçante em Portugal e sim aquilo de que nos orgulhamos.

Pena é que não façamos também programas de televisão quando o Saramago ganha o nobel ou o Manuel de Oliveira é premiado e não saibamos dar importância a todos aqueles que como o Ronaldo são bons naquilo que fazem, todos os dias, e ganham significativamente menos que o puto maravilha.

A palavra dinheiro vem-me à cabeça, como argumento final para todos os assuntos, mas com a queda de credibilidade do mesmo, parece-me que vamos ter que começar a definir novos valores.