“Subterranean Homesick Blues” de Dylan era um disco portentoso.Tem de se ter consciência do entusiasmo inicial de Zappa para se compreender o pequeno beliscão de “Flakes” em Sheik Yerbouti, onde Adrian Belew, com uma voz à Dylan, canta uma “canção de protesto” por o carro não estar pronto a tempo, ou para se entender a resposta de Zappa quando Dylan lhe pediu para produzir um álbum: em 1977, Dylan foi à casa de Laurel Canyon, sem se anunciar – “estava um frio de rachar, não tinha casaco e trazia a camisa aberta” – sentou-se ao piano e tocou onze canções (que mais tarde seriam Infidels). “Disse-lhe que ele devia vender as canções ao Giorgio Moroder. Ele faria uma base de sintetizadores e o Bob tocava guitarra e harmónica por cima. Seria fantástico!”Quando o ouvi pus-me aos saltos dentro do carro e depois quando ouvi o outro a seguir, “Like a Rolling Stone”, quis desistir da música porque senti que se isto vingasse e fizesse o que era suposto fazer eu não precisava fazer mais nada. O disco vendeu, mas ninguém respondeu de maneira adequada. Deviam ter ouvido e ter dito, “Ei, isto até passou na rádio! Esperem lá um bocadinho, temos oportunidade de dizer alguma coisa, 'tás a perceber? A rádio é para a usarmos como arma.” Como isso não aconteceu fiquei um bocado desiludido. Pensei, bom, caraças, talvez precisem de uma ajudinha.
Gostei das letras porque achei que eram directamente justas e fui encorajado por coisas destas poderem passar na rádio – e também porque havia muito para escolher na onda média da rádio. Disse, se isto é difundido, se é popular e vende, então pode iniciar um movimento muito importante. Mas não o vi concretizado da maneira que esperei.