Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 10:57

Seg, 02/01/12

Primeiro post do ano: e o primeiro para dizer que este ano vai ser melhor do que pensamos. Para sair fora desta terrível e estúpida tendência que diz que o ano 2012 vai ser pior que 2011. Ainda estamos a dia 2 de Janeiro e já estou farto de ouvir toda a gente, desde as pessoas na rua aos manequins na televisão, passando pelos anónimos ao telefone e no eco das nossas consciências de que o ano vai ser mau, horrível, vamos ficar sem isto e sem aquilo, os impostos vão subir, o desemprego vai subir, o primeiro-ministro quer que a gente emigre para mandar dinheirinho para cá, os canadianos perceberam isso e expulsam-nos, o dólar e a libra continuam a sua guerra surda à Europa, a Europa assiste enquanto os seus amigos anglo-saxónicos assobiam para o lado como se não soubessem de nada. Ao mesmo tempo os chineses compram a Europa a retalho, a preços baixos, os mesmos preços baixos que fizeram a mão de obra ocidental deslocar-se para o Extremo Oriente, os brasileiros preparam-se para os jogos olímipicos e o mundial de futebol para finlamente fazerem parte do mundo desenvolvido. O mundo está em profunda mudança. Que melhor notícia podíamos ter?

Está a terminar o mundo do desperdício, o mundo que via a economia como consumo, esse mundo ainda se agita, na esperança de que as coisas possam voltar atrás, mas não, o mundo já é outro, em 2012 iremos assistir à queda de todas as crenças obsoletas: desde a ganância pelo novo gadget ao fanatismo pelo benfica ou por fátima, desde a irresponsabilidade da poluição e destruição do ambiente à reinvindicação de um local de trabalho estável, duradouro e perene.
O mundo já não está para essas coisas, o mundo está em mudança, e que bem que está, em Portugal está em mudança para pior, no que diz respeito ao dinheiro que iremos ter nas nossas contas bancárias, mas o que é que isso interessa para a nossa felicidade? É claro que precisamos de dinheiro para viver, etc... bla bla, mas precisamos de estar endividados por causa das férias a Cancun em 2005 que ainda estamos a pagar, precisamos realmente de mudar de carro todos os anos para sermos felizes? Precisamos realmente de fazer obras numa casa acabada de construir? Precisamos realmente de gastar dinheiro em coisas inúteis? Porque não mudarmos as nossas prioridades para os livros, a música, o cinema (europeu e português), o teatro, a dança? Porque não, para quê continuar a insistir?
Nós temos um país periférico, virado para o oceano, o que é muito melhor que viver no meio da Europa, cheia de neve e influência germânica. Nós somos um país privilegiado porque temos o oceano como companhia e possibilidade. Para o resto da Europa somos periféricos, mas também somos a entrada da Europa. Se ao menos tivessemos a visão estratégica para perceber isso, se ao menos tivessemos políticos que quisessem ver isso e não apenas o dinheiro que gastamos a mais, se ao menos os nossos partidos não vivessem apenas para ganhar votos e se venderem à primeira oportunidade... If only...
Por tudo isto e mais ainda, estou otimista, 2012 será o ano em que iremos deixar de gastar aquilo que não podemos, deixaremos de consumir demais e começaremos então a ser parcimoniosos no gozo que temos pela vida... é este o meu desejo para o ano...