Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 12:46

Qua, 06/07/11

"Não há dúvida de que Zappa como líder, compositor, arranjador e produtor, tal como executivo de editora discográfica, director executivo e realizador de filmes/vídeo era um patriarca; Zappa geria as bandas e o seu negócio como uma ditadura benevolente, muito à maneira dos patriarcados das velhas escolas onde foi criado. Desde as primeiras gravações, Zappa transpirava o mesmo tipo de saber-fazer que marcou o melhor espírito empreendedor americano demonstrado no seu espírito de restauro; restaurar gravações velhas, editá-las e renová-las (como ele fez no caso de Lumpy Gravy ou quando a Warner Brothers se recusou a lançar o álbum Läther); e usava as novas tecnologias no estúdio, trabalhando sempre nos seus limites. Mais, apesar de algumas opiniões contrárias, Zappa era uma pessoa extremamente generosa. Durante toda a carreira sofreu muito para ajudar a carreira de outros (Alice Cooper, Captain Beefheart, as G.T.O.s) e tinha muitas vezes pessoas, amigos, parentes, e empregados a viver na sua casa durante dias (às vezes semanas ou anos), e, apesar de não parecer apreciar assim tanto, Zappa falava sempre com repórteres e estudantes. Zappa, apesar de algumas provas em contrário, era realmente um optimista, no fundo, que parecia acreditar no fundamental sonho americano: se trabalhares no duro e fores honesto, então és bem sucedido. Apesar de tudo, a sua vida foi uma longa série de desilusões profissionais."

 

Kelly Fisher Lowe in The Words and Music of Frank Zappa, University of Nebraska Press, 2007.



Marco @ 02:03

Qui, 21/07/11

 

Isto é interessante: uma entrevista ao maestro brasileiro Júlio Batalha. (http://taratitaragua.blogspot.com/2011/03/maestro-julio-medalha-fala-de-frank.html) A entrevista em si é curta e não diz muito, mas tem a particularidade de ser dada por alguém que não só foi colega do Zappa quando ele estudou na Alemanha como também teve uma convivência boa com ele - e este jovem Zappa estudante na Europa é um período da sua vida muito importante e, que eu saiba, não foi devidamente explorado por outros autores. Talvez este maestro esteja disponível para uma entrevista mais alargada, por email.

Marco @ 02:14

Qui, 21/07/11

 

Eu enganei-me: o maestro chama-se Júlio Medaglia e aparece aqui num programa de tv brasileiro juntamente com um jornalista fã de Zappa: http://www.youtube.com/watch?v=RHy0-YyyAGc&feature=player_embedded#at=294

Pedro @ 13:10

Qui, 21/07/11

 

Obrigado por isto, mas não me parece que seja verdade. Em finais dos anos 50/anos 60 Zappa não tinha dinheiro sequer para mandar cantar um cego, quanto mais para ir para a Alemanha estudar com esses nomes. É mais um mito como aquele de "comer merda". Não percebo porque foi lançado. Talvez seja uma confusão. Talvez esse maestro brasileiro tenha encontrado Frank Zappa nos anos 60 na Alemanha, numa das primeiras digressões e pensou que ele era discípulo desses nomes. Convém lembrar que Zappa começou a escrever música serial para orquestra muito antes de escrever rock. Por isso, Zappa não é um músico de rock que sabe compor segundo os cânones vanguardistas da música clássica moderna. Ele é um compositor moderno que "elevou" a música popular à categoria de Arte.
Por muito interessante que pudesse ser, tenho a certeza de que ele nunca estudou na Alemanha.
Obrigado.
by the way, eu tenho aquele livro do Fabio Massari, foi-me enviado diretamente por ele e autografado, a quem muito agradeço, e com quem gostaria de falar um dia de viva voz.
Abraço, Fabio.

Ps: alguém viu uma celebração semelhante na tv portuguesa?