Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 12:57

Qui, 05/05/11

 

E pronto. Já está. Foi feito um acordo com o FMI e o BCE. Vão emprestar-nos 78 mil milhões de euros. Vamos endividar-nos ainda mais. A bola de neve prossegue o seu caminho.

Como é que vamos pagar? Não se sabe.

O país vai crescer? Nos primeiros anos, não. Depois crescerá, dizem. Ahahahah.

E quem vai pagar? Nós.

Outra vez. Vamos ser nós outra vez a dar dinheiro ao FMI, a juros de 3% primeiro e depois de 4%.

E a pergunta mantém-se.

Vieram eles ajudar-nos? Deixem-me rir.

Um banco a ajudar as empresas, o povo, o país?

Mas nós acreditamos mesmo nisso?

Como vamos nós pagar se continuamos a não produzir nada que nos distinga no mundo?

Como vamos nós sobreviver como país quando este dinheiro desaparecer?

Pedimos outro empréstimo?

Nas televisões, os técnicos pululam, descobrindo falhas, mostrando que o FMI é tudo menos inocente. Eles exigiram medidas, mas aquilo que eles queriam era conceder o empréstimo, mais nada. As medidas são uma fachada. Vamos ter de ser nós a resolver o problema, a suportar as medidas de austeridade, a trabalhar mais (sempre), a produzir o mesmo, a descontar aquilo que não é razoável enquanto o país, assente na mesma contradição de sempre, se vai endividar ainda mais.

Há pessoas na RTP que dizem que o Estado está gordo, tem empresas a mais, funcionários a mais, jobs a mais, concordo, mas as pessoas que o dizem com mais radicalismo são as mesmas que depois vemos em organismos do Estado a ganhar o seu salário acima da média, a usufruir as suas garantias como o 13º e 14º mês, a rezar por pontes e feriados, a adormecer depois do almoço para depois entrarem no seu carro último modelo em direcção à fila de carros mais próxima, até chegarem a casa hipotecada onde poderão invetivar contra o Estado.

É nessa contradição que estamos. O PSD e o PS endividam o país, mas estão desejosos de chegar ao poder para poderem retalhar este empréstimo pelos seus apoios. Ou pensam que o investimento que tem de ser feito irá para concursos isentos, onde ganham sempre os mais competentes e impolutos cidadãos? Não. Não será assim. Não será assim enquanto o nosso país não apostar em unidades de produção de uma ideia estratégica, seja ela qual for. Este é um país endividado e por conseguinte nas mãos daqueles que nos emprestam dinheiro (alegremente). Para que depois nós lhes paguemos com os nossos sistemas de saúde, de seguros, de água, de educação, aqueles sistemas que garantem o mínimo de equidade na nossa sociedade.

O 25 de Abril foi, de facto, o momento mais alto da nossa democracia, daí para cá temos sido sempre menos independentes. Revolução nas próximas eleições já! Votem!


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