Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 14:55

Dom, 03/04/11

 

Quando ouvi as palavras do António Manuel Ribeiro pela primeira vez na rádio, devia correr o ano de 1979 em todo o seu esplendor e eu tinha 10 anos. Foi nesse dia que eu aprendi o que era uma metáfora.

Não sabia dizer a palavra, claro. Mas com a música dos UHF percebi que a corrida que estoirava era a corrida para a vida, onde os animais se lançam no esforço, sempre, com toda a violência em jogo e onde os outros nos rodeiam, aplaudem e nos picam, violando todas as leis, passando ao assalto a qualquer preço. E nós somos os cavalos de corrida, como hamsters a correr sempre às voltas da mesma roda - agora tu és um hamster de competição. E ele tinha razão, hoje, mais do que nunca, galopamos já feridos, perdemos o juízo ao apostarmos nesta cartada que chamamos capitalismo, uma rotina Zé ninguém, um massacre igual às notícias que vinham de El Salvador e que ouvi também nesses tempos, essa latin'america dos Jafumega que outros glorificavam no reggae - Sting em Driven to tears ou When the world is running down you make the best of what's still around, ou de Bruce Springsteen em Born To Run. Quando António Manuel Ribeiro escreveu esta letra metaforizou a sociedade - ensinou-me o poder da arte, do rock, para moldar e iluminar espíritos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora é que a corrida estoirou e os animais se lançam no esforço.

Agora é que todos eles aplaudem a violência em jogo.

Agora é que eles picam os cavalos, violando todas as leis.

Agora é que eles passam ao assalto e fazem-no por qualquer preço.

Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida

Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida

 

Agora é que a vida passa num flash e o paraíso é além

Agora é que o filme deste massacre é a rotina Zé Ninguém

Agora é que perdeste o juízo, a jogar esta cartada

Agora é que galopas já ferido, procurando abrir passagem

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida, eh


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